"O sucesso está cada vez mais pautado no trabalho em equipe"


Eduardo Lorenzi e Miriam Shirley, co-CEOs da Publicis

Por Claudia Penteado

O movimento de copresidências tem se intensificado entre as agências de publicidade, acompanhando, entre outras tendências, a do trabalho cada vez mais colaborativo na indústria da comunicação, que vive a era do compartilhamento e do coletivo se sobrepondo ao individualismo. Em outubro deste ano, o Head de Planejamento Eduardo Lorenzi e a Head de Mídia Miriam Shirley se tornaram co-CEOs da Publicis, após a saída de Hugo Rodrigues para a WMcCann.  Neste papo, eles contam como tem sido a experiência e garantem que a soma de competências e a divisão de tarefas multiplica resultados. Vale a velha máxima: uma andorinha só não faz verão.

O que levou ao modelo da gestão compartilhada, no caso da Publicis?

Miriam: A escolha pelo modelo de gestão compartilhada na Publicis foi muito natural. Isso porque o Edu e eu já trabalhávamos juntos como vice-presidentes há três anos e tínhamos uma complementaridade de skills e de trajetórias muito positiva, o que sempre nos permitiu ter uma interlocução diferenciada com os clientes, respeitando as necessidades e o momento de cada negócio.

Quais as vantagens deste modelo e por que ele é considerado uma tendência, principalmente de uma nova geração de gestores de agências e empresas da nova economia?

Eduardo: Acredito que a indústria da comunicação é sempre muito aberta a novos formatos. É um ambiente mais flexível, o que permite testar modelos que vão além da pirâmide tradicional. A copresidência especificamente está totalmente em linha com o mundo em que vivemos hoje. Um mundo em que o coletivo se sobrepõe ao individualismo e o compartilhamento já se provou mais forte do que a imposição. E é exatamente assim que vemos a copresidência: como um modelo que permite somar competências, dividir tarefas, multiplicar as possibilidades de solução e ao mesmo tempo ameniza a pressão sobre um único líder.

Como vocês dois são complementares, em que áreas cada um entra mais, por exemplo?

Miriam: Como a minha competência técnica original é a mídia e a do Edu, o planejamento, é claro que cada um de nós entra mais nesses territórios específicos. Mas, como copresidentes, o importante é nos cercar de pessoas especializadas em suas respectivas áreas e ter uma visão sistêmica de toda a operação.

Ajuda, também, o fato de serem um homem e uma mulher, com visões distintas de muitas questões e problemas?

Eduardo: Com certeza. O contraponto entre as visões feminina e masculina é muito importante também na linha de frente da agência, especialmente se considerarmos o atual cenário que a indústria da comunicação vive. Além disso, ter uma mulher como copresidente é uma mensagem poderosa para o mercado e que reflete a nossa filosofia. Mais de 50% dos colaboradores da Publicis são mulheres e nos cargos de liderança este número chega a 60%. Agora esse equilíbrio se reflete também na mais alta liderança.

Vivemos possivelmente a era do fim dos "rain makers"?

Miriam: Acho difícil generalizar. Mas o que se vê no ambiente corporativo atual é que o sucesso está cada vez mais pautado no trabalho em equipe e não em um único talento. Vale a velha máxima de que uma andorinha só não faz verão. E não faz mesmo. Porque hoje, se você tem uma grande ideia, mas ela não é bem executada, não entra na mídia certa, não tem consistência estratégica, basta um comentário negativo na rede social para derrubar tudo.

Vocês podem dar alguns exemplos práticos do dia a dia dessa gestão?

Eduardo: Hoje eu e a Miriam tomamos todas as decisões de gestão juntos. Mas é claro que temos a autonomia de agir em casos específicos, quando um está mais envolvido em determinado projeto do que outro. Esse comportamento acaba se refletindo em toda a agência e abre o diálogo e o compartilhamento de ideias entre as pessoas. E isso é fundamental para se alcançar bons resultados especialmente em uma indústria intitulada “da comunicação”.