"Agências sempre serão um grande player no processo de construção de marca dos clientes"


Rodolfo Medina, diretor da Abap Nacional e presidente da Artplan

Por Claudia Penteado

A Artplan completou 50 anos e foi uma das pioneiras no conceito de comunicação integrada, ainda antes do termo existir de fato. Criar plataformas de comunicação abrangentes para as marcas está no DNA da agência e teve suas origens nas ideias disruptivas de Roberto Medina, criador do Rock in Rio, um dos maiores cases de construção de marca do planeta. Neste bate-papo, Rodolfo Medina, que preside a Artplan há 19 anos, fala do seu papel à frente do negócio, do foco no capital humano e nos negócios, e de inquietude, mudanças, mudanças e mudanças.

O que representam para você esses 50 anos da Artplan? Há quantos anos você está na agência?

O ano passado foi histórico não só para mim, mas para toda a Artplan e os profissionais que a compõem ou que já fizeram parte de nossa história. Costumo dizer que são 50 anos de constante inovação e inquietude. Estou na agência há 19 anos e desde 2006 à frente dela como presidente. Pessoalmente, tem sido um desafio e uma honra enorme dar sequência ao legado iniciado pelo meu pai (Roberto Medina) lá atrás. Com nosso time de colaboradores, nós continuamos trabalhando para que a agência conquiste, cada vez mais, relevância no mercado e confiança junto aos clientes. 

O que mais marcou a sua trajetória como gestor da agência? Qual a sua grande contribuição, na sua visão?

O DNA da Artplan nesses 50 anos continua o mesmo: sempre com muita inovação e atuando com o conceito de comunicação integrada, mesmo antes desse termo existir de fato. O que estamos fazendo desde 2006, quando assumi a presidência, é estruturar a equipe, preparando os profissionais. Estruturamos nossa área de Recursos Humanos para capacitar a equipe de forma que possamos oferecer aos clientes soluções de negócios e não apenas de comunicação. Além disso, temos profissionais que estão pensando sempre à frente, antecipando tendências e atentos às transformações do nosso mercado. Acredito que nosso diferencial está muito atrelado ao nosso capital humano e na nossa forma de construir relações e resultados consistentes.

Que diferenças ou semelhanças essenciais existem entre você e o seu pai, Roberto, em que se complementam, em que são muito parecidos?

Nossa principal semelhança é o foco nos negócios, porém o Roberto sempre teve um olhar mais criativo dentro do processo, enquanto eu, desde que assumi a liderança da Artplan, tenho investido muito em gestão.

Assumir a Artplan foi natural para você ou em algum momento pensou: "vou ser músico, advogado ou arquiteto?"

Acho que não tinha muito como fugir, não é mesmo? Agora, falando sério: entendo que minha entrada e meu interesse pelo universo da comunicação aconteceu de forma muito natural e gradual. Dentro de casa, até na mesa de jantar, eu já ouvia muito do meu pai sobre campanhas, ações na área... Meu ingresso foi natural. Não me vejo trabalhando em outra área. Adoro a dinâmica da comunicação e seus desafios. Também considero que somos privilegiados, pois entendemos o mercado em que atuamos, mas – principalmente – aprendemos muito com diferentes estratégias de clientes distintos.

O resumo disso é que aos poucos fui entrando nas empresas do Grupo:  primeiro pelo Rock in Rio, depois na Artplan, onde comecei na área de Novos Negócios e atendimento, até assumir a liderança da agência.

Como vem sendo o desafio de fazer com que a agência atue como um hub para clientes? Você já tem algum exemplo prático de como isso vem ocorrendo?

A ideia do novo posicionamento da Artplan, de atuar como Hub, nasceu de um movimento que a agência já vinha identificando no mercado (e com os nossos clientes). Inclusive, já estávamos praticando há algum tempo. O mercado está cada vez mais complexo e temos a missão de sermos parceiros estratégicos para nossos clientes, colocando à disposição diversos serviços e orientações que possam contribuir para a estratégia de negócios deles, seja auxiliando na relação com seus fornecedores ou até mesmo sugerindo novos parceiros, se necessário. Nos colocarmos como Hub reforça nosso desejo de atuarmos como um agente facilitador junto aos clientes. Na Casa Ponte, da Vodka Skyy (Gruppo Campari), trabalhamos junto aos demais fornecedores do cliente e, além de ter criado a comunicação do projeto, centralizamos os parceiros. O Rock in Rio também é um ótimo exemplo.

Quais as vantagens e as desvantagens de ter que mudar e adaptar o modelo sempre, para buscar a melhor forma de atender os clientes na era da comunicação multiplataforma?

A comunicação é e sempre foi muito dinâmica, principalmente agora com a ampliação e capilaridade de canais e plataformas. Isso, de certa forma, exige que as agências e os profissionais estejam sempre atualizados para as constantes transformações do mercado e na relação com os clientes. Nesse sentido, nossos investimentos na capacitação de pessoas e o fato de sermos uma agência 100% nacional faz com que tenhamos uma maior agilidade e independência para pensar em novos formatos e testar modelos que atendam as necessidades dos clientes. Não diria desvantagens, mas sim “ponto de atenção”: o novo sempre causa uma certa estranheza ou mesmo desconforto. Quem já não ouviu “sempre deu certo assim”? Esse é o sinal de alerta para provocar, motivar, engajar a equipe ao “porque não?”.

Como você enxerga o futuro desse processo e do papel que as agências terão para clientes que querem construir marcas?

Na minha visão, as agências sempre serão um grande player no processo de construção de marca dos clientes, atuando como falei acima, como integrador de serviços. Acredito que seremos cada vez mais relevantes nesse processo de parceria estratégica de negócios e moldando a comunicação e demais serviços de acordo com esse direcionamento.

Qual o papel essencial que uma entidade como a Abap deve exercer para a indústria da comunicação?

A Abap tem um papel essencial na profissionalização constante da indústria de comunicação, reunindo as agências e os demais envolvidos para abrir conversas e levantar temas relevantes que contribuam para o desenvolvimento do mercado.