"O Conar é a consciência crítica da publicidade"


João Luiz Faria Netto, Presidente do Conar

Por Claudia Penteado

De poucas palavras - como convém a alguém sábio e experiente - e portanto sem fazer discurso, o jurista João Luiz Faria Netto foi eleito presidente do Conar no lugar de Gilberto Leifert, que ficou exatamente 7.300 dias à frente da entidade e segue como membro efetivo do Conselho. Faria Netto assume oficialmente no início de agosto, ao lado de nomes que já atuavam na entidade como o primeiro vice-presidente, Newman Debs, da área jurídica da Unilever e representante da ABA, o segundo vice-presidente, Luiz Lara, representando a Abap, e o terceiro vice-presidente, Antonio Carlos de Moura, representando a ANJ.  Edney Narchi se mantém na diretoria executiva, entre outros nomes que já atuavam na gestão de Leifert. Faria Netto mantém suas demais atividades como diretor da Fenapro e do Sinapro, além de advogado da Abap-Rio. 

Qual a sua história com o Conar?

Minha história com o Conar começa na sua fundação. Fui o redator e participei da comissão que discutiu com o Governo - que estava querendo criar uma autarquia para controlar anúncios. Eu participei de uma reunião na qual estava o Dionísio Poli, Petrônio Corrêa e Luiz Fernando Furquim, representantes respectivamente de veículos, agências e anunciantes, discutindo o tema no Ministério de Indústria e Comércio. Participei dessa comissão representando a Associação Nacional de Jornais. Portanto, sou fundador do Conar e tenho ininterruptamente mais de 40 anos na entidade.

O Conar é exemplo no mundo e algo que deu muito certo no Brasil. Por que?

Deu muito certo e ainda digo mais: isso é mérito da publicidade, que é a primeira atividade autorregulamentada do Brasil. Anterior ao Conar, já existia uma autorregulamentação. O exemplo foi dado pelos antigos líderes da publicidade, a quem eu presto uma homenagem muito grande.

O Conar sempre teve um papel muito importante na defesa da liberdade de expressão no Brasil. Como você vê isso?

Isso se deve ao fato do Conar não ser protagonista. Ele não faz o discurso da liberdade de expressão mas assegura que a atividade que sustenta os veículos de comunicação tenham liberdade de expressão. É diferente de ser um protagonista. O que ele faz é assegurar a existência da publicidade. Que é legítima e tem toda a liberdade. Eu gosto muito de uma expressão que diz o seguinte: a publicidade é a arte do interesse. Essa arte do interesse é que possibilita a arte da liberdade total da cultura.

O que você diria sobre a sua contribuição para a entidade ao longo dos últimos 40 anos?

Sempre estive presente, não vou valorizar minha presença ou atuação. Mas estive presente em todas as etapas e atividades do Conar. Sempre procurei estar presente para ajudar. Fui  conselheiro, diretor, do conselho superior, sempre tive alguma atividade no Conar nesses anos todos.

Como nasceu a sua candidatura à presidência?

Foi uma iniciativa da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão  e um consenso de todas as entidades. Que entenderam que era melhor, neste período, ter à frente alguém que não fosse diretamente ligado a nenhum setor, mas que fosse indiretamente ligado a todos os setores. Foi esse o consenso. Aceitei de muito bom grado, e embora não pensasse nisso, me acarinhou.

Que desafios você tem hoje e com os quais pode contribuir?

Posso contribuir com a minha isenção. Tenho isenção em relação às três áreas do trade e posso ser o elo de concórdia, o que eu espero ser. A vantagem dessa eleição é que não preciso ter projeto porque o Conar está pronto. Não preciso ter proposta, porque as propostas são do dia a dia. Isso é muito agradável. O que eu diria é que o desafio não é do Conar, mas sim da publicidade e do Brasil. Precisamos encontrar meios e formas para sair do caos em que nos encontramos. Naquilo que a publicidade puder ajudar, vai ajudar com ética. O Conar não é protagonista: é o equilíbrio e atua como a consciência crítica da publicidade.

O mundo digital representa um desafio extra para a publicidade - e também para o Conar, por exemplo?

Este é um mundo com o qual não temos que brigar. Temos que atrair o mundo digital para que eles entendam que são veículos de comunicação e precisam respeitar determinadas regras éticas. O mundo digital é novo e de múltiplos fazeres e de múltiplos fazedores. O campo é maior para haver equívocos, mas tudo funciona de maneira semelhante ao que sempre funcionou. Entramos em casos que envolvam a publicidade, claro. Os meios digitais são tratados exatamente como os meios convencionais. Os infuenciadores, por exemplo, são tratados como meios de comunicação. Respondem como veículo. Aliás, eles sempre respeitaram todas as decisões do Conar.