"Tudo deve e pode ser melhorado"


Tonico Pereira, Chief Compliance Officer da DPZ&T

Por Claudia Penteado

O Compliance já faz parte do dia a dia de boa parte das agências de publicidade. Neste bate-papo, Tonico Pereira fala sobre as vantagens de ter esta área estruturada e dá dicas sobre os primeiros passos para implementá-la. A DPZ&T foi a primeira agência do mercado a criar o cargo que ele ocupa hoje, quando já se pode dizer que ter este setor é "lucrativo, sustentável, oferece risco mínimo para todos e traz tranquilidade negocial".

O Compliance se tornou a chave para o bom andamento das relações comerciais?

Acredito que sim. Assim como a Governança, que veio para equacionar a moderna Administração e os mecanismos de viabilidade, crescimento e controle.

O que faz, efetivamente, uma área de Compliance bem estruturada?

Faz a definição do tema (integridade) e o que significa para a instituição/sociedade/grupo e seus gestores e área de atuação.

No contexto da publicidade, quais aspectos importantes o Compliance cobre?

Aqui juntamos também a ética – que tem ampliação de alcance e conceito. Tratamos de políticas e práticas de valores, bem como fonte de consulta, orientação e treinamento para sedimentar tolerância zero com corrupção, suborno, discriminação, trabalho infantil, etc. Também o dia a dia de nossa empresa: como lidar com terceiros, entes públicos, conflitos de interesse, compras, presentes, viagens, confidencialidade – entra aí também a questão tão efervescente da legislação GPRD (General Practice Research Database), da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e afins.

As regras brasileiras coincidem com as internacionais – como fazer esse quebra-cabeças em uma multinacional?

As regras estão sendo desenvolvidas e evoluindo. A adequação não será um bicho de sete cabeças.

E como se valer das normas para lidar com tantos fornecedores ao mesmo tempo?

Com assessment, treinamento, formatação de contratos, auditorias, etc.

Qual o primeiro passo para uma agência estruturar uma área de Compliance?

Sentar, conversar sobre o tema, sua abrangência e entendimento das lideranças e da sociedade empresarial. E depois chamar especialistas.

Como está estruturada a área de Compliance da DPZ&T? Vocês contaram com ajuda externa ou alguma consultoria?

O Grupo Publicis tem sua área Global de Integridade (Compliance) representada no Brasil pela diretoria jurídica, aqui capitaneada pela Dra. Andressa Genovesi e time. Também fomos a primeira agência do Grupo a constituir nossa área própria, comigo como Chief Compliance Officer, com orçamento e funcionamentos próprios. Tivemos, desde o início, o suporte e orientação do escritório de advocacia Mattos Filho.

Quais desafios se apresentam no dia a dia para seguir as regras de Compliance?

Adequar realidade e timing. Temos que pensar que tudo deve e pode ser melhorado, mas sem desprezar que muita coisa boa e valorosa já faz parte das organizações e dos talentos que as constituem. Pensar, treinar, discutir e aplicar melhores práticas no fim é difícil como quaisquer outras evoluções culturais e aplicação de valores. Depois de um tempo, as pessoas e os processos vão se entrosando, protegendo as boas práticas, ajudando uns aos outros e cuidando do dia a dia e do que pode oferecer riscos e deve ser saneado/evitado/entendido/tratado/eliminado.

E quais as vantagens de ter a área azeitada e funcionando plenamente?

O conjunto da obra é lucrativo, sustentável, oferece risco mínimo para todos e traz tranquilidade negocial.