“Nossa especialidade é mobilizar pessoas e movimentar negócios”


Gal Barradas, Publicitária, Empreendedora e Vice-Presidente da Abap Nacional 

Por Claudia Penteado 

Gal Barradas, Vice-Presidente da Abap e autora do livro “Novas Questões, Respostas Diferentes”, que acaba de ser lançado em São Paulo, conta nesse bate-papo como foi coordenar, pela Abap, como parceira do Ministério Público Federal, uma campanha que divulga a Lei 12.845/2013 - que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual. O principal ponto da Lei é o de assegurar que os hospitais ofereçam às vítimas de violência sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar gratuito. “A Abap respondeu a um chamado. Pela magnitude do desafio entendeu que sua ajuda poderia ser efetiva e de grande importância.”, diz Gal. Ela também fala um pouco do livro, fruto de seus questionamentos sobre criatividade, propósito, branding, tecnologia, dados, ética e diversos temas que fazem parte do dia-a-dia de profissionais de comunicação.

Como nasceu a parceria com o Ministério Público Federal, a partir da necessidade de divulgar a lei 12.845/2013?

É função do Ministério Público Federal fazer cumprir as Leis. O MPF de São Paulo observou que a Lei não vinha sendo cumprida, tendo sido objeto de matérias jornalísticas. Além da ação junto aos órgãos públicos de Saúde, o Procurador, Dr. Pedro Machado achou importante que houvesse uma campanha para conscientizar toda a população dos seus direitos. Pediu ajuda à Abap para articular agências, produtoras, veículos, a fim de conseguir criar e colocar no ar a campanha.

Como foi o processo criativo da campanha, que levou à escolha da Y&R?

Chamamos duas grandes agências que pudessem garantir não apenas qualidade no trabalho, mas também que nos ajudassem na capacidade de mobilização para colocar a campanha de pé rapidamente. As duas apresentaram várias linhas. A Abap participou da escolha da melhor linha de cada agência para serem apresentadas a um comitê do MPF. Ambas as agências se apresentaram e a escolha final foi desse comitê. Foi escolhida a Y&R, com Direção de Criação da Laura Esteves.

A campanha tem vários elementos inovadores. O que você destacaria mais?

Tem algo que achei fundamental: batizar a Lei como Lei do Minuto Seguinte. Além de chamar a atenção, vamos direto ao ponto: o imediatismo que o atendimento tem que ter para ser eficaz, além de ser um poderoso call to action.

Qual a importância do envolvimento da Abap em todo o processo?

O MPF vislumbrou que como a Abap participa ativamente do mercado publicitário, seria capaz de articular uma rede de colaboradores, como ocorreu. Além disso, o MPF contou com o conhecimento técnico dos membros da Abap para ajudá-los na elaboração do briefing, planejamento das ações e orientação da campanha.

A Abap pretende atuar em outras questões do Ministério Público ou causas importantes daqui para frente?

A função fundamental da Abap é defender os interesses das agências de publicidade. No caso da Lei do Minuto Seguinte, a Abap respondeu a um chamado. Pela magnitude do desafio - uma Lei que atinge a maior parte da população e que precisava ter alcance nacional – entendeu que sua ajuda poderia ser efetiva e de grande importância. Se em outras oportunidades a entidade entender que sua participação será de grande importância, certamente avaliará o chamado. Especialmente em casos onde é necessário a mobilização da sociedade, as agências podem e devem ser chamadas. Nossa especialidade é mobilizar pessoas e movimentar negócios.

Como dar o tom certo a campanhas como essa, sem parecer forçado, sair do tom, correr o risco de não passar a mensagem na medida certa?

Os fatos que a envolvem já são gritantes por si. Não é preciso falar muito. O simples fato de expor os dados já é suficiente para chamar a atenção e para que as pessoas entendam a necessidade de se falar sobre o problema. O tom que quisemos imprimir corresponde à gravidade do assunto e a solução é apresentada de maneira simples, clara e afirmativa, como uma campanha para toda a população tem que ser.

Agora falemos um pouco do livro que você lançou esta semana: “Novas Questões, Respostas Diferentes”. Ele é fruto e uma resposta, talvez, ao assombramento que tomou conta do mercado diante de tantas questões novas?

Sim. Este livro traz não só reflexos de experiências vividas mas também uma visão crítica de como penso que este mercado se moverá num mundo movediço para a comunicação e para as marcas.

Quais são, por exemplo, algumas das questões em torno da ética colocadas no seu livro?

A conexão em tempo contínuo nos impõe uma nova ética nos relacionamentos tanto entre pessoas, entre pessoas e empresas, entre cidadãos e governos, e assim por diante. Há uma sensação de onipresença e onipotência. Assim, num mundo tão aberto, tão líquido e tão instantâneo, é preciso preservar e estabelecer valores sobre os quais as relações vão se dar a fim de garantir resultados positivos entre as partes e para as partes.

Qual a sua maior inquietação, hoje, como profissional do mundo da comunicação, nesse nosso Brasil varonil?

A economia - como em qualquer outro segmento - mas, especialmente, o modelo de comunicação que vivemos hoje, muito influenciado pela liquidez e pela velocidade com que as pessoas se comunicam e interagem. Isto traz a consequente necessidade de adaptação e mútua compreensão dos novos modelos de negócios de todos os players que se interrelacionam na cadeia.

Quanto tempo você levou escrevendo o livro e qual o perfil do leitor que vai verdadeiramente se beneficiar com a leitura, na sua opinião?

O livro foi escrito ao longo de 1 ano. Acho que ele será bastante útil para empresários, dirigentes, lideranças de empresas que não estão acostumados a lidar com um repertório de marca e suas questões. Da mesma forma, acho que será bastante útil para os profissionais que estão entrando no mercado de trabalho da comunicação, pois trago experiências que vivi no dia a dia, vivendo a evolução do mercado até os dias de hoje.