"A Grey acredita em fazer coisas que importam"


Marcia Esteves, Presidente da Grey

Por Claudia Penteado

Marcia Esteves, Presidente da Grey, diz que sua maior busca atualmente é criar um ambiente colaborativo e inclusivo na agência, que vive ótimo momento e tem servido de exemplo para o restante de mercado ao implementar, por exemplo, de forma definitiva o modelo de trabalho baseado em Brand Tables - equipes alocadas por marcas e projetos. Segundo ela, a ideia é de fato colocar o trabalho acima do ego, da área ou da hierarquia. "Precisamos ajustar o modelo de negócio a medida que a sociedade se transforma. Agindo e não reagindo", diz.

Marcia, o que encanta você na publicidade e o que a faz levantar todos os dias para trabalhar?

Absolutamente tudo. Propaganda é comunicação. Comunicação é o que nos faz “homo sapiens”, e me faz crescer e entender melhor o mundo que se transforma todos os dias. Eu sempre quis transformar o mundo, tornando-o melhor, mais justo para todos. Me levanto todos os dias buscando uma forma de transformar a vida das pessoas ao meu redor, a indústria da comunicação, e acreditando que podemos levar uma mensagem relevante, por meio de nossas marcas, para transformar a vida de milhões de brasileiros.

Mudança agora é default no dia a dia das agências? A reinvenção tem que ser permanente?

A mudança é default na vida das pessoas. A tecnologia modifica todos os dias a forma como nós, seres humanos, vivemos e nos relacionamos. Isso faz com que todos os segmentos, incluindo as agências, precisem viver em constante transformação.

Como você chegou à ideia de criar as Brand Tables - equipes alocadas por marcas e projetos. Em que medida esta é uma ideia nova no mercado brasileiro, por exemplo?

Escutando nossos clientes. Testando modelos. E aprendendo. Estamos sempre abertos a sermos melhores e sabemos que não só podemos, como devemos ser. E, assim, implementamos novos processos. O modelo não me parece novo, o que é novo é implementar de forma definitiva, com profissionais que queiram genuinamente trabalhar de forma colaborativa, colocando o desafio a ser resolvido acima do ego, da área ou hierarquia. Com este modelo, ganhamos eficiência, agilidade e integração.

Mundialmente a Grey já vem se organizando assim?

Na Grey acreditamos que a criatividade tem o poder de mover a cultura e a sociedade. Essa é a nossa cultura e, a partir desta premissa, sempre compartilhamos as melhores práticas, mas cada escritório estabelece seu modelo, respeitando as particularidades de cada mercado e clientes.

Por que é tão difícil manter a qualidade do serviço no dia a dia, fora de concorrências, e até que ponto é justo para o cliente demandar isso da agência?

Normalmente, em processos de concorrência, temos a liderança das agências e dos anunciantes envolvidas e focadas em um projeto. No dia a dia, tanto os anunciantes quanto as agências sofrem com a falta de foco, prioridade e senioridade. Em um negócio que é feito por pessoas e para pessoas, estes itens fazem toda a diferença no produto final.

O que representa o "Famously Effective", mantra global da rede Grey, e como ele se materializa em ações e atitudes no dia a dia da empresa?

Acreditamos que propaganda boa não tem cara de propaganda. O mundo precisa de ideias, histórias, entretenimento, pontos de vista. O mundo precisa de propósito. É isso que se espera de uma marca. É isso que se espera de uma agência. A Grey acredita em fazer coisas que importam. Porque quando fazemos coisas que importam para as pessoas, nossas marcas se tornam parte da conversa do elevador, entrando na rotina dos consumidores de forma natural. E desta forma, geramos resultados para o negócio. Isso é ser Famously Efective: o que dá resultado fica famoso; e o que fica famoso dá resultado. É esse o nosso esforço diário para todos os nossos clientes.

Que outras mudanças você vem pondo em prática na Grey dentro desse conceito, e buscando ampliar a eficiência da agência?

A busca não é necessariamente por eficiência e, sim, por sermos capazes de nos transformarmos e criarmos condições para que as pessoas se desenvolvam e ofereçam o melhor possível para nossos clientes e marcas. Em um ambiente colaborativo e inclusivo. Nosso país é diverso e multicultural e buscamos refletir essa realidade na Grey para garantirmos relevância em tudo o que desenvolvemos.

Que balanço você faz da sua gestão, desde que assumiu o cargo sozinha, integralmente, a partir de março?

Tivemos o melhor ano da história da Grey no Brasil e só vai perder para 2019. Me sinto muito honrada com a oportunidade de liderar uma agência que conta com profissionais, clientes e parceiros extraordinários. E se temos motivo para comemorar, o mérito é de todos.

Quais os maiores desafios que as agências, de uma maneira geral, enfrentam hoje no Brasil?

Precisamos ajustar o modelo de negócio a medida que a sociedade se transforma. Agindo e não reagindo. Fazendo as perguntas certas e estruturando as transformações necessárias, respeitando o valor da nossa indústria e com foco no negócio - e não agindo em “ondas” e de forma pendular e pontual. Isso inclui não somente constante revisão operacional mas, principalmente, que inclusão, colaboração e igualdade sejam nossas palavras de ordem.

Qual a sua visão deste ano - como a agência chega ao final, comemorando que conquistas?

Com clareza de metas, assumimos o compromisso de não medir esforços para transformar o nosso mercado, fazendo um trabalho de comunicação relevante, honrando as nossas marcas e nossos clientes, criando condições para o desenvolvimento de todos, gerando resultados efetivos e aprimorando a nossa sociedade. A única certeza que tínhamos – e que ainda temos – era a de que colocaríamos, em primeiro lugar, pessoas com um propósito comum, para, por meio delas, com seu trabalho de comunicação ética e eficiente, aprimorar o mundo, fazê-lo mais humano. Nosso sonho era grande e sabíamos que, para concretizá-lo, seria preciso fazer da Grey uma das mais importantes agências do país. Dar-lhe visibilidade, credibilidade e valor. E assim chegamos ao final de 2018, o melhor ano da história da Grey no Brasil, e que só vai perder para 2019.

E como vê o Brasil de agora, e a partir de 2019, com o novo Governo? Está otimista?

Independentemente do governo, acredito que é possível cada um fazer a sua parte para transformar o Brasil em um lugar melhor com mais oportunidades para as pessoas. Entendo que as marcas podem trazer uma grande contribuição para uma mudança do país, e nós, como agência, temos a possibilidade de dar grandes contribuições para que tudo isso aconteça.

Como é, para a publicidade e para as marcas, na sua visão, lidar com tanta polarização de opiniões e de visões de mundo, e até que ponto marcas devem se posicionar no debate sócio/político?

Diferentes visões e opiniões, quando construtivas, fazem com que todos evoluam. O problema é quando diferentes opiniões se tornam verdades absolutas, exclusão e preconceito. As marcas devem se posicionar sempre que tiverem um ponto de vista, algo a acrescentar a um tema de forma genuína.