"Não basta parecer, tem que ser"


Adriana Ribeiro, Sócia e COO da Bullet

Por Claudia Penteado

Adriana Ribeiro, sócia e COO da Bullet, conta nesta entrevista um pouco da trajetória da agência na implantação de um sistema de Compliance, um caminho sem volta que transformou completamente a vida da empresa, ajustando valores e cultura interna. Segundo ela, são mudanças de cultura e de comportamento, que precisam ser iniciativa dos sócios e diretores, e não da equipe. 

Qual a importância, na sua visão, de implantar um sistema de Compliance e como nasceu da teoria à prática esse projeto na Bullet?

Hoje em dia não basta parecer, tem que ser! O compliance na Bullet nasceu de uma necessidade para o atendimento aos nossos clientes, como Volkswagen, Mondelez, Comgás e outros, mas também veio ao encontro da nossa necessidade em colocar no papel os nossos valores e a nossa cultura interna. 

Como escolher prioridades de um Código de Conduta, decidir o que é importante, o que é secundário? Onde vocês se inspiraram, buscaram referências?

Contratamos um escritório referência na implantação de Compliance, o Salusse Marangoni Advogados, que nos ajudou a montar o nosso Código de Conduta e a planejar todas as atividades que deveríamos cumprir para ter um processo eficiente, como revisão de todos os contratos de clientes e parceiros, escolher parceiro para o Canal de Denúncia, implementação do Comitê, etc. 

Como foi a implantação do canal de denúncia? De que forma isso foi feito e como passou a funcionar?

Contratamos o instituto ARC, que implantou a plataforma do nosso Canal de Denúncia, preservando a identidade e sigilo do denunciante e montando um processo para auditoria independente e externa dos relatos que são feitos dentro do Canal, sejam pela plataforma, 0800 ou site. 

Qual o desafio de colocar em prática um código de conduta, por exemplo, para além do papel? Esse é o desafio maior?

O Código de Conduta deve já estar em linha com a cultura e os valores da agência. O maior desafio foi planejar a estratégia de divulgação e aderência do Código pelos nossos profissionais e parceiros sem que fosse cansativo, maçante, e que conseguíssemos sensibilizar 100% para a leitura com atenção de todos os tópicos. 

Vocês foram uma das primeiras empresas a aderir ao movimento contra o assédio, inspirados pela pesquisa do Grupo de Planejamento. Como foi isso, e que ações gerou?

Sempre tivemos um olhar para ter um ambiente agradável na agência, sem qualquer tipo de desrespeito com os nossos profissionais. O Grupo de Planejamento nos solicitou a divulgação do questionário e o disponibilizamos no mesmo dia para todos os nossos profissionais responderem a pesquisa. Quando os resultados foram divulgados, fizemos questão de solicitar a presença do Ken e da Ana para uma apresentação a todos, reforçando que repudiamos qualquer tipo de assédio e que isso faz parte de um capítulo importante do nosso Código de Conduta. 

Como foi feita a atualização do Código de Ética e Conduta da agência?

Após dois anos de implantação do nosso Compliance, a nossa CCO (Chief Compliance Officer), Vivian Timoteo, viu a necessidade de atualizar o Código incluindo conceitos de Assédios Moral e Sexual, sobre a Nova Lei de Proteção de Dados e mais alguns pontos. Após a atualização e aprovação no Comitê, divulgamos novamente para todos os nossos profissionais e parceiros, mostrando os pontos que foram alterados e incluídos e solicitando novamente a assinatura do Termo de Ciência de nosso Código. Além disso, promovemos no mesmo mês um painel com três palestrantes que falaram sobre a importância do Compliance, Fraude e Assédio Moral e Sexual.  

Como tem sido a abordagem da Bullet em relação ao que se refere à Lei de Proteção de Dados?

Estamos estruturando todos os processos e ferramentas para estar em acordo com a nova Lei de Proteção de Dados. Já temos nomeado o nosso DPO (Data Protection Officer), Vagner Valim, que é responsável junto com a nossa Legal Adviser e CCO, Vivian Timoteo, a montar todo o cronograma de ações a serem implementadas até fevereiro de 2020. Os contratos com fornecedores e clientes já foram adaptados com uma cláusula específica sobre a proteção de dados de PF e estamos trabalhando atualmente no mapeamento dos riscos junto ao nosso escritório de advocacia.  

Por que a iniciativa da Bullet tem servido de modelo para o restante do mercado? Ainda é muito complexo para uma empresa virar esta chave e conseguir implementar tantas mudanças?

Não sabemos se a iniciativa da Bullet tem servido de modelo para o mercado, mas esperamos que sim. É complexo porque tem que ser uma iniciativa dos sócios e diretores, e não da equipe. São mudanças de cultura e de comportamento. 

O que você pode dizer que tudo isso trouxe para a empresa, de uma forma geral? Quais são os ganhos, e quais são as perdas (se é que houve), ou conflitos de interesse, por exemplo?

Para nós o melhor ganho foi a confiança de nossos profissionais, parceiros e clientes em todo o processo. O Canal de Denúncia é usado e nos ajuda muito na correção de rotas. Podemos afirmar que não tivemos perdas no processo, apenas grandes aprendizados. 

Quais os próximos passos?

Sempre estar atentos às alterações de leis e ajustes que o nosso código de conduta, por ventura, possa sofrer. Implementar todas as regras da nova Lei de Proteção de Dados, implementar a cartilha própria da Bullet sobre Assédio Moral e Sexual, e montar um cronograma em 2019 para mais treinamentos da equipe e parceiros.