"Não pensamos em crise"


Marcio Toscani, Co-CEO e COO da Leo Burnett Tailor Made e Diretor da Abap Nacional 

Por Claudia Penteado 

2018 foi um ano de ótimos resultados para a Leo Burnett Tailor Made, reconhecida com o Caboré de Agência do Ano, após uma série de profundas transformações iniciadas em 2017. Marcio Toscani, Co-CEO e COO da empresa, conta neste bate-papo a trajetória recente da agência. Segundo ele, foi importante não pensar em crise. "Arregaçamos as mangas, nos reinventamos e focamos na entrega dos trabalhos para nossos clientes", afirma.

A Leo Burnett Tailor Made encerra agora o projeto de dois anos em que promoveu uma reestruturação de sua operação, com novos vice-presidentes, criação de áreas e conquista de contas. Que balanço você faz desse período, e deste ano?

Esse biênio foi muito importante para a Leo Burnett. Os bons resultados de 2018 são consequência de um processo que começamos em 2017, quando iniciamos uma reestruturação na agência, com um olhar mais profundo para dentro da operação. Contratamos cerca de 100 pessoas nesse período, reformulamos nossa liderança, em sua maioria promovendo talentos que já estavam na casa, trouxemos novas áreas e redesenhamos algumas já existentes. Ganhamos novas contas: Bradesco, Extra, Bayer, além de digitais de Fiat e Intense (O Boticário). Com isso, crescemos dois dígitos e consolidamos ao longo do ano nossa posição em quinto lugar no ranking Kantar Ibope Media.

O que representa para vocês terem se tornado agência do Ano no Caboré, em meio a todas essas transformações?

Estamos muito felizes com essa conquista. O Caboré é o maior prêmio da publicidade brasileira. E conquistar este prêmio significa que o mercado (anunciantes, veículos, fornecedores e publicitários) reconheceu o resultado do trabalho de consistência que fizemos na agência. Ganhar representa que conseguimos mostrar toda a energia despendida pelo nosso time de 400 pessoas para esse processo de transformação.

Para 2019, estão previstos a volta aos festivais de publicidade, além do fortalecimento da prospecção. O que mais representa 2019, para vocês?

Uma das prioridades da agência para 2019 é manter talentos na equipe e estreitar ainda mais nossa relação junto aos nossos clientes. Em 2019 vamos voltar a participar dos festivais, após um ano sabático por determinação do Grupo Publicis; e também atrás de prospecções em setores com os quais a gente não atua atualmente, mas temos expertise. São eles telecomunicações, aviação, farmacêutico e bebidas.

Como a empresa cresceu tanto em um período tão difícil para o mercado de uma maneira geral?

A gente não pensou em crise. Arregaçamos as mangas, nos reinventamos e focamos na entrega dos trabalhos para nossos clientes. Além das novas contas que entraram, acreditamos que a felicidade traz resultado. Tudo o que fizemos nesses dois anos de transformação foi a partir de um olhar profundo para dentro, respeitando nossa relação com o público interno e com nossos clientes. Nosso foco foi fazer uma agência saudável em todos os sentidos. A complexidade da propaganda é muito grande, a gente vem testando novos modelos, construindo novas maneiras. O que funciona a gente perpetua e o que não, vamos fazendo de uma maneira diferente para gerar resultado. O mercado de publicidade vai continuar em transformação, mas transformação traz oportunidades.

Que modelo de agência vem funcionando para vocês e que ajustes essenciais se fizeram necessários para que a performance da agência se mantivesse ao longo do tempo, em meio a tantas transformações nessa indústria?

Fizemos vários ajustes priorizando uma entrega ainda mais otimizada e diversificada para os clientes em todos os meios, independente dos formatos. Nosso objetivo foi unificar e agilizar os trabalhos envolvendo oportunidades de conteúdos editoriais e o uso de tecnologia e inteligência de dados a serviço de uma melhor entrega criativa. Com isso, criamos uma área de conteúdo, com a chegada de 10 novos profissionais especializados no assunto; unificamos a área de produção em uma única liderança sendo a convergência entre RTV, Produção Gráfica e Art Buyer; e fizemos a absorção da área de business intelligence pelo planejamento, com 11 novos profissionais para incrementar as práticas de dados e estratégia.

Esse é um negócio de pessoas: como a agência vem investindo em seu time, mantendo-o motivado, reconhecendo talentos? E como agregar novos talentos e expertises, em meio a tudo isso?

Temos uma área forte de recursos humanos, chamada People & Culture, que tem um olhar muito grande voltado para as capabilities de cada um de nossos talentos. Sempre que temos promoções ou oportunidade de vagas, damos prioridade ao nosso público interno. Quando a gente vai ao mercado, vamos atrás de pessoas que entendam a cultura da Leo Burnett. Além da capacidade técnica, priorizamos características como criatividade, inovação, flexibilidade, curiosidade e espírito de coletividade, independente de hierarquias. É importante também que os times formados tenham características complementares, pois acreditamos na diversidade como receita de sucesso. Buscamos sempre trazer/promover as melhores pessoas e deixá-las trabalhar. Isso motiva o time e os resultados aparecem naturalmente.

Que grandes gols foram marcados com clientes ao longo de 2018?

Colocamos muitos trabalhos grandes e estratégicos na rua este ano. Atuamos em toda plataforma de lançamento do Samsung Galaxy S9; lançamentos de Fiat Cronus, Mobi e Argo no Brasil; reposicionamento da comunicação de Extra; ação de Tic Tac com Jotapê e Kondizilla (Modo Avião); lançamento da linha Nativa Spa Karite (O Boticário) e as ações de Bradesco que incluem campanhas como patrocínio do Cirque du Soleil e Seu caminho é Prime.

Qual a visão da agência sobre o tema Compliance e em que medida vem se ajustando às suas demandas e exigências?

O Grupo Publicis já atua com o Janus mundialmente em todas as suas agências. Um manual por meio do qual todos os funcionários têm acesso, entre outros assuntos, às melhores práticas para se fazer negócios tanto no Brasil como nos demais países onde atua. Além disso, a Leo Burnett Tailor Made também já iniciou conversas para firmar acordos com alguns institutos locais para intensificar treinamento na agência mais aprofundado sobre o tema. Como diz o ditado: “é melhor prevenir do que remediar”. Acredito que desenvolvendo planos de disseminação do compliance na cultura organizacional estamos prevenindo e tratando vulnerabilidades para que a tomada de decisão possa agregar valor. Em paralelo, faço parte da diretoria da ABAP e juntos estamos elaborando um Código de Conduta com normas de compliance com o propósito de estabelecer o que o mercado define como boas práticas.