"As marcas precisam de apoio local para entender as demandas e dores dos mercados regionais"


Felipe Ladeira, Presidente da ABAP Maranhão e Diretor Geral da Quadrante 

Por Claudia Penteado 

Felipe Ladeira, Diretor Geral da Quadrante e Presidente da ABAP no Maranhão, diz nesta entrevista que as agências regionais se fortalecem especialmente em momentos de crise e de grandes transformações. Segundo ele, entender as nuances locais de cada região é essencial para as marcas manterem a relevância junto aos seus diversos públicos. "O que me faz levantar todos os dias é a certeza de que o nosso trabalho tem um papel fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país", afirma.

 

Felipe, onde está a força da publicidade dos mercados regionais como o Maranhão?

Acredito que a maior força das agências e da publicidade dos mercados regionais é entender desses mercados melhor do que ninguém. Com a internet, as novas tecnologias e os seus reflexos no consumidor exigem, cada vez mais, que as agências e as marcas entendam cada nicho com que precisam conversar. Este é um ponto chave e um dos grandes paradigmas que a nova propaganda precisa enfrentar, uma comunicação unilateral e de massa, com uma diálogo mais de nicho, e uma mensagem de maior afinidade e relevância para o público. As marcas precisam de apoio local para entender as demandas e dores dos mercados regionais.

Como você enxerga hoje o papel da Abap no fomento do mercado e em especial dos mercados regionais? 

Como já falei durante os nossos encontros da ABAP, acredito que muitos dos problemas que enfrentamos na gestão de nossas agências são comuns ao mercado, e a ABAP pode ajudar na identificação desses problemas e a reunir esforços na busca das possíveis soluções. Um grande desafio é ajudar a ABAP a entender a realidade e os problemas específicos dos mercados menores e regionais.

E como anda o mercado publicidade no Maranhão? 

Apesar da qualidade das agências de publicidade e dos profissionais do estado, o mercado publicitário maranhense sofre uma enorme retração. Infelizmente, este ano algumas tradicionais agências de propaganda fecharam e outras precisaram reduzir suas estruturas para continuar operando.

Quais os principais desafios enfrentados?

A crise econômica foi o maior desafio. Com a retração do consumo, anunciantes acabaram reduzindo o investimento em marketing e comunicação, o que só agravou a crise. Foi como tentar apagar um incêndio com gasolina. O marketing e a comunicação são os meios para que as empresas estimulem o consumo de seus produtos e serviços. Além desse problema, posso ainda chamar atenção para a miopia de mercado gerada pela comunicação nas redes sociais. Não há dúvida que as redes sociais não são uma moda e que a internet mudou por completo os meios de comunicação. Apesar disso, ainda estamos vivendo um estágio de super valorização dessa tecnologia em detrimentos de outros meios consagrados. Acredito que a maturidade virá, e com ela a compreensão de que todos os meios de comunicação possuem seus pontos fortes e fracos e podem contribuir no esforço para conquistar e engajar clientes.

Como o mercado local vem se adaptando às transformações no business?

Com a informação mais acessível, agências e profissionais locais conseguem ter acesso a um volume maior e melhor de dados. Vejo que as agências procuraram desenvolver mais sua competência de gestão, necessária não só para administração do próprio negócio, mas para entender melhor as dores do seu cliente anunciante. Essa compreensão mais clara do problema é o ponto de partida necessário para o desenvolvimento do trabalho orientado para resultados.

E para a Quadrante, como foi o último ano? 

Apesar do cenário que mencionei, 2018 foi um ano muito positivo para a Quadrante. Isso se deve a algumas estratégias adotadas nos últimos anos, dentre elas, a diversificação do negócio dentro de uma proposta de valor orientada ao resultado de nossos clientes e ao desenvolvimento de metodologias de trabalho e processos mais eficientes.

Quais  foram as conquistas recentes da agência?

Foram várias as conquistas em 2018, dentre elas, novas contas que chegaram com grande potencial de desenvolvimento e um time de profissionais bem consolidado e qualificado. A principal conquista para a nossa agência foi ter contribuído com nossos clientes a superarem suas metas para o ano e a se consolidarem no mercado.

Que modelo de agência vem funcionado para vocês, em meio a tantos modelos novos, tantas novas demandas?

Acreditamos que o novo modelo de agência passe por compreender melhor as dores do nosso cliente e a aprender a compartilhar os resultados do trabalho. Acredito também que a agência estará cada vez mais próxima dos seus clientes, não como um fornecedor, mas como um parceiro comercial que ajuda a desenvolver negócio. As agências e seus profissionais possuem as competências críticas para desenvolver negócios, além de criatividade e capacidade de inovar. Em um mercado tão competitivo e que muda tão rapidamente, o conhecimento de mercado e a criatividade das agências terão um papel cada vez mais estratégico.

Qual a sua visão hoje sobre o futuro da publicidade no Brasil e no mundo? 

Enquanto precisarmos nos comunicar, haverá oportunidade para publicidade. A publicidade hoje não é feita como há 20 anos e será diferente de como faremos daqui a 20. O fato da publicidade mudar, não significa que deixará de existir. É uma questão de adequação. Veja o caso do filme Lego Movie 2! Não é um grande comercial de 2 horas que todos nós escolhemos assistir? O que mudou é que o público ganha ainda mais importância e isso é percebido no cuidado e no tratamento dado ao conteúdo. Além disso, a comunicação será cada vez mais segmentada, para que as mensagens tenham empatia junto a cada perfil de público. Há, por exemplo, um oceano de oportunidades na comunicação de nichos.

O que não muda e não mudará neste cenário, na sua opinião?

A condução do trabalho com ética é algo que nunca deve mudar. Esta é uma premissa atemporal, que alicerça uma sociedade. Acredito que a comunicação é um meio para fazer esse resgate da moral e da ética.

Qual é a sua visão de 2019?

Bastante otimista e certo de que faremos a nossa parte para tornar este um excelente ano. Esperamos um forte crescimento dos negócios e dos investimentos.

O que o faz levantar da cama todos os dias, e ainda se encantar com a publicidade?

O que me faz levantar todos os dias é a certeza de que o nosso trabalho tem um papel fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país. A comunicação e a propaganda são como o combustível que faz os pistões da oferta e da demanda pulsarem mais rapidamente. Grande parte dos problemas que o nosso país enfrenta, seja na educação, na saúde, na geração de empregos, dependem de uma retomada econômica para alicerçar os investimentos necessários. Somado a isso, posso ainda acrescentar o estratégico papel que a propaganda possui em viabilizar a estrutura dos meios de comunicação que, por sua vez, são alicerces da transparência e da democracia em que vivemos. E concluo com a máxima: quem não é visto, não é...