Muito além da propaganda


Evandro Colares, Presidente da ABAP Ceará e Sócio Diretor da Advance 

Por Claudia Penteado 

Evandro Colares, Sócio Diretor da Advance e Presidente da ABAP Ceará, virou publicitário por acaso e hoje toca uma das agências mais importantes do mercado cearense que, segundo ele, está mais maduro e com uma geração de profissionais mais preparada e com "brilho nos olhos". A Advance é uma agência full service e que nasceu, segundo ele descreve, com o espírito “Tamo Junto”, indo sempre muito além da propaganda. Desafios são o combustível ideal para se reinventar, algo que ele próprio viveu na vida profissional, e que considera essencial para manter a empresa forte e relevante.

 

Evandro, como você começou em propaganda?

Na verdade, nunca pensei em trabalhar com propaganda. Minha jornada profissional começou muito cedo no Banco do Nordeste, quando tinha apenas 14 anos, e minha ideia sempre foi fazer carreira no próprio banco. Formei-me em Economia, fiz duas pós-graduações em Finanças, e ocupei várias funções de gestão no BNB. O tempo foi passando e, aos 28 anos, casei com Eliziane Colares, que era publicitária e também trabalhava no banco, mas na área de Marketing. Após cinco anos de casados, ela deixou o banco, em 1995, e fundou a Advance (até contra a minha vontade). Ainda bem que ela não me ouviu. Neste começo da Advance, eu ficava mais no apoio, em uma espécie de “vida dupla” (BNB de dia e a Advance depois do expediente). Era puxado. Foi então que, em 2001, com a conquista da conta da Pague Menos pela Advance, abandonei a carreira no banco e passei a me dedicar 100% à publicidade.

Qual a sua visão, hoje, do cenário atual para a propaganda e do seu futuro?

Vivemos a era da revolução digital, com o avanço da internet e o surgimento dos dispositivos móveis, da venda online, das mídias sociais, de novos veículos de comunicação e da produção de conteúdo cada vez mais colaborativa, o que trouxe mudanças irreversíveis para o modus operandi da comunicação. Nesse cenário, tivemos que nos reinventar, compreender a mudança no perfil de consumo das pessoas, desenvolver novas estratégias e caminhos, para gerar um contato muito mais próximo, interativo e assertivo com o público. Sem dúvida, o futuro nos reserva muito mais inovações e mudanças, e as agências que não conseguirem se adaptar para continuar fazendo um trabalho relevante na construção das marcas não conseguirão sobreviver. Além disso, tenho certeza de que, mesmo com a tecnologia estando cada vez mais presente no nosso trabalho, as mídias off (se é que posso chamar assim) continuarão existindo e ocupando seu papel no sucesso das campanhas. Tudo precisa estar integrado, on e off devem ser tratados como uma coisa única.

Qual é o cenário hoje no Ceará, e os principais desafios enfrentados pela sua agência e seus colegas de mercado?

O mercado da propaganda está mais maduro. Temos, atualmente, uma geração de profissionais mais preparada e com brilho nos olhos, capaz de produzir uma entrega diferenciada. Embora ainda seja um desafio, já há uma percepção maior sobre a importância de se construir marcas fortes, que tenham significado na vida das pessoas. Para nós, o principal desafio está em fazer as empresas perceberem a crescente importância e a força da comunicação na construção do valor da marca e sua relação direta com o aumento de receita. Quando se trata de comunicação, ainda há uma resistência muito grande em investir grandes recursos. Infelizmente, nosso setor ainda é um dos primeiros a sofrerem cortes de verba quando uma empresa está em crise, quando ele deveria ser visto como um vetor capaz de revertê-la. A força da marca pode ser uma base sólida para garantir a sustentabilidade das empresas em longo prazo. Falando do Ceará de forma específica, não temos muitas marcas que atuam no cenário nacional, o que geraria muitos investimentos em publicidade. Algumas destas empresas, nos últimos anos, sem querer citar nomes, foram para agências publicitárias em praças como Rio e São Paulo. Mas já sei que algumas se arrependeram e estão voltando. Que voltem todas.

Qual o perfil da Advance, como ela se posiciona e qual o tom da agência?

A Advance nasceu com o espírito “Tamo Junto” para atender o cliente de forma full-service, e vamos além da propaganda convencional. Não somos uma empresa de eventos, mas fazemos os eventos de nossos clientes. Como exemplo, realizamos o Circuito de Corridas da Pague Menos desde que foi criado, em 2010, já tendo passado por 18 capitais brasileiras, e em muitas repetindo mais de uma vez. Na área digital, temos investido bastante em pessoas, e hoje somos uma agência Google Partner Premier. O negócio é se reinventar todos os dias para continuarmos fortes.

Como tem sido o desafio de liderar a ABAP no Ceará? Quais são as causas da entidade, como ela atua localmente, e qual a sua visão sobre o seu papel?

A ABAP no Ceará conta hoje com seis associados. Não é um número grande, e dentro do possível vamos articulando ações em sintonia com ABAP Nacional. Anualmente, promovemos, em parceria com a ACERT (Associação Cearense de Rádio e Televisão), o Prêmio Aboio de Comunicação e a Jornada Aboio de Comunicação. No Prêmio, tivemos em 2018 a inscrição de quase 200 peças eletrônicas. Um júri formado por presidentes de outras ABAPs determina os vencedores. Isso qualifica o mercado e nos dá um norte a seguir. Já a Jornada Aboio, que durou dois dias, contou com oito palestras de alto nível ministradas por especialistas do cenário nacional. Tivemos palestras na área de criação, mídia, compliance, pesquisa, digital, entre outras. Foi muito bom. Como também sou do Conselho do SINAPRO-CE, tenho procurado trabalhar de forma aliada em defesa da nossa categoria.

Como foi o último ano para a agência? Quais foram as conquistas, os desafios, os aprendizados?

Desde 2016, deixamos de ter um céu de brigadeiro, tivemos que enfrentar a crise junto com todos os brasileiros, e, como disse anteriormente, a conta da publicidade é a primeira a ser reduzida quando se fala em baixar custos. Passamos por uma diminuição de funcionários, investimos mais em treinamento para que os acertos sejam mais efetivos. Em 2018, já sentimos uma melhora e estamos otimistas diante dos números que o mercado financeiro projeta para os anos seguintes. Estamos investindo numa área de prospecção mais focada e buscando alguns caminhos alternativos, como a criação de plataformas de e-commerce para os nossos atuais e futuros clientes.

Que modelo de agência vem funcionando para vocês?

Desde sempre apostamos em um modelo de agência criativa que primasse também pela estratégia, pelo atendimento diferenciado, por um planejamento de mídia capaz de otimizar de verdade o retorno do anunciante e por uma operação inteligente. Tudo isso integrado e amparado por um processo de inovação sem fim, seja nos nossos produtos, seja na gestão geral do negócio. Ao longo dos anos, sistematizamos um modelo próprio de inteligência criativa capaz de fortalecer a presença das marcas na mente dos consumidores, potencializando resultados e gerando maior vantagem competitiva.

O que esperar de 2019?

Como falei, apostando nos números colocados pelo mercado financeiro para os anos seguintes, acreditamos na melhora do mercado, mas tendo sempre a certeza de que só haverá espaço para os muito competentes. Hoje, meus dois filhos já estão dentro da Advance e estou apostando muito neste sangue novo. Tamo junto.