"A publicidade é a profissão de hoje e do futuro"


Americo Neto, Presidente da ABAP Bahia e Sócio-Diretor da Viamídia Publicidade 

Por Claudia Penteado 

José Americo Araújo Neto, ou Americo Neto, como é conhecido o sócio-diretor de atendimento da baiana Viamídia Publicidade e presidente da ABAP Bahia, conta nesta entrevista como entrou na profissão, fundando sua empresa há 23 anos com dois colegas de faculdade. Apaixonado por vendas, acabou criando uma agência "barriga no balcão", como ele diz, sempre focada nos resultados dos clientes. E que busca, cada vez mais, novas maneiras de fazer comunicação. "Não adianta mais fazer as coisas como fazíamos", afirma. Neste bate-papo, Americo também relata as atividades da ABAP Bahia, uma das mais ativas entre as regionais.

 

Americo, como você começou em propaganda?

Desde pequeno sempre quis ser vendedor. Sou descendente de árabe e a negociação e a comunicação estão nas veias. No momento de escolher a faculdade, optei por publicidade pois era a que está mais ligada a vendas. Então ingressei na Universidade Católica de Salvador, no curso de Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda. Era uma das primeiras turmas. E, no meio da faculdade, no quarto semestre, juntamente com mais dois colegas, fundamos a Viamídia Publicidade. Começamos sem nenhum cliente, numa salinha emprestada de 22 metros quadrados e apenas dois computadores e uma impressora. Aí fomos conquistando um cliente após o outro, com muito trabalho. Em 2019, estamos completando 23 anos e a Viamídia é uma referência para os estudantes de publicidade hoje em dia.

O que ainda encanta você na propaganda?

A velocidade. A propaganda é rápida em se adaptar às mudanças, ao acompanhar as mudanças da sociedade, ao usar a última música que fez sucesso ou a próxima estrela a despontar. É rápida também em adotar novas tecnologias. É uma atividade baseada em inovação. E como sou uma pessoa que gosta de novidade, meu dia a dia na propaganda é repleto deles.

Qual o perfil da Viamídia, qual o tom da agência?

A Viamídia é uma agência full service. Trabalhamos com a comunicação integrada e completa. Fazemos online e offline, promoção de vendas, pesquisa e somos muito focados em resultado. Nosso posicionamento se baseia em criar resultados para nossos clientes. Acompanhamos as vendas, o crescimento dos negócios, a construção da marca e medimos o retorno de muitas das nossas ações. Somos "barriga no balcão", colados com os clientes, eu, pessoalmente visito todos os clientes no mínimo a cada 50 dias. Costumo dedicar minhas manhãs de sábado para visitar os clientes em plena operação. Volta e meia vou de surpresa para testar o atendimento ou para checar se o vendedor está sabendo da propaganda que está no ar.

Fale mais sobre o modelo de agência. Como ele vem funcionando para vocês?

Somos uma agência completa, com uma grande estrutura e uma equipe diversificada que faz com que atuemos em todas as disciplinas de comunicação sempre com algum profissional especializado. Atendemos de forma global e com grande envolvimento com os resultados, o que faz com que tenhamos relações duradouras com nossos clientes. É muito difícil a Viamídia perder um cliente. Abrimos um canal contínuo para ouvir as insatisfações assim que elas surgem e atuamos rapidamente para satisfazer os clientes. E sou muito presente no dia a dia com os clientes. Isso me toma tempo e me dá muito trabalho. Mas estar com o cliente, na empresa dele, conhecendo o cliente dele, é o melhor briefing que podemos ter. Por isso, costumo dizer que na Viamídia é diferente: os nossos clientes são atendidos pelo dono (Rsrs). 

Quais os desafios de  liderar a Viamídia no momento atual?

Não sei o que é mais desafiador, liderar a ABAP ou a Viamídia (Rsrs). O mercado regional é sempre mais disputado e com menos recursos. Mas as agências regionais vêm ganhando relevância, pois o Brasil é um país gigantesco e com diferenças absurdas. O que faz com que a comunicação regionalizada seja cada vez mais importante. Como líder na agência, meu maior desafio é inspirar as pessoas para que elas façam o melhor continuamente e se reinventem todos os dias. Pois, nossa atividade, que sempre foi mutante, agora está se transformando muito mais e em bem menos tempo. Não adianta mais fazer as coisas como fazíamos. Precisamos criar também novas maneiras de fazer a comunicação.

E como anda o mercado na Bahia?

A Bahia sofreu menos com a crise do que os outros estados. Aqui há uma Prefeitura e um Governo do Estado fortes, que se rivalizam e anunciam muito e com qualidade. Isso movimenta internamente o mercado publicitário. Além disso, a Bahia tem destinos desejados por brasileiros e turistas, o que faz com que as marcas nacionais sempre invistam aqui. Não é um mercado fácil, a crise atingiu algumas agências mais fortemente, mas a Bahia exporta talentos para o mundo e agências também. Então nossas agências têm atuação nacional e algumas inclusive trabalham também fora do país.

Como foi o último ano para a agência? Fale sobre conquistas, desafios, aprendizados.

Foi um ano duríssimo. Diminuição de receitas. Mas conseguimos manter todos os principais clientes e nos tornamos uma agência ainda mais completa, com investimentos em equipe e infraestrutura. Costumo dizer que 2018 para nós foi como um daqueles dias que antecede uma luta importante para um pugilista: ele perde peso, sofre, desidrata. Mas chega na luta preparado e com energia para vencer. Estamos prontos para encarar um 2019 que será bem melhor. E como todo grande lutador de boxe que se prepara bem, se Deus quiser, vamos vencer.

E como tem sido o desafio de liderar a ABAP na Bahia?

Estamos em ritmo acelerado na ABAP Bahia. Fizemos um ano repleto de eventos, foram 14 eventos de diversas temáticas como Reforma Trabalhista, Compliance, Mapa OOH, Direito Autoral, Mídia em Games, Mídia Programática. Trouxemos um palestrante internacional, um cineasta indicado ao Oscar que deu uma Master Class de conteúdo para a equipe de criação de nossos associados. Levamos a São Paulo Digital School pela primeira vez para Salvador, com um curso de métricas, e ainda contratamos Hugo Rodrigues (WMcCann) para dar uma palestra no ninho dos anunciantes, um grande congresso com mais de 1.500 lojistas de materiais de construção. Ou seja: abordamos temáticas variadas e fizemos mais de um evento por mês. Fomos destaque na mídia local. E para fechar o ano com chave de ouro, fizemos uma grande festa de 40 anos da ABAP Bahia, homenageando publicitários históricos e anunciantes de peso nestas quatro décadas. Tivemos o cuidado de envolver os anunciantes em nossas ações. Além disso, fizemos uma das maiores captações de recursos da história da ABAP Bahia, para esta festa dos 40 anos, e colocamos marcas de peso, inclusive algumas de fora do mercado de comunicação como a Harley Davidson, a Land Rover, a XP Investimentos e a Avatim. Realizamos todas as ações baseadas numa pesquisa que fizemos junto aos nossos associados no começo do ano, e que orientou o nosso planejamento. Foi um ano intenso e em que a ABAP ganhou em relevância e manteve a força da sua atuação e da sua marca.

Qual a sua visão sobre o futuro da publicidade?

Por sua natureza criativa e de inovação, a publicidade é a profissão de hoje e também do futuro. Vejo ela cada vez mais estratégica, cada vez mais orientada por dados e cada vez mais intuitiva para surpreender e fazer diferente, provocar resultados inesperados. A minha visão é otimista. Acredito que a nossa atividade é cada dia mais estratégica e importante para os anunciantes.

O que esperar de 2019? 

Os brasileiros estão todos na torcida por um ano melhor. Precisamos apoiar as reformas necessárias e provocar o mercado a acreditar e a investir. Economia é expectativa e temos que torcer para que o otimismo continue em alta. Ele vai ser a mola impulsionadora da retomada da economia. Eu estou acreditando. E você?