"Manter relações duradouras garante sinergia total"


Rodrigo Rodrigues, Presidente da ABAP Paraná e Presidente da OpusMúltipa 

Por Claudia Penteado 

Rodrigo Rodrigues, Presidente da OpusMúltipla e também presidente da ABAP Paraná, conta nesta entrevista como o conceito de comunicação integrada proposto pela agência - hoje parte do Grupo OM - foi se atualizando ao longo do tempo e se encaixa perfeitamente nos tempos atuais. Rodrigues aborda também os desafios enfrentados regionalmente, e a importância de focar em vendas no curto prazo e no fortalecimento das marcas no longo prazo.

 

Comunicação integrada: como este conceito chega a 2019, em meio a tantas transformações na comunicação, necessidades dos clientes e hábitos de consumo de mídia das pessoas?

A CIM sempre foi abrangente, considerando muito mais que os planos publicitários. Desde sua concepção, propõe a integração transversal dos departamentos, de modo a buscar na jornada do consumidor necessidades para, então, voltar-se para dentro e desenvolver soluções para essas necessidades. Não imagina orçamentos e metas departamentais, mas interdepartamentais. Tudo de acordo com o modelo SIVA - Soluções, Informações, Valor e Acesso. Uma atualização muito pertinente e necessária dos 4 P's, de McCarthy. Tudo gira em torno de atender a necessidades, muitas vezes não formatadas ou compreendidas dos consumidores, integrando toda a empresa para isso.

Como a agência vem se transformando, e que modelo vem funcionando para vocês?

Atualmente, a OpusMúltipla faz parte do Grupo OM e tem mais quatro empresas irmãs. Vivemos o modelo de integração total dos diagnósticos, identificação de problemas, desenhos estratégicos e implementação especializada. Nossa atenção atual está para a automação de marketing que nos permite captar dados e comportamentos do consumidor e transformá-los em estratégias customizadas. Temos muito a aprender com os profissionais de relações públicas, pois atualmente o que buscamos é: conteúdo customizado, no canal correto, na hora em que o consumidor precisa e na linguagem que faz sentido a ele. Objetivo final: vendas no curto prazo, marca no longo prazo.

Qual o papel do Instituto JD Rodrigues na trajetória da agência?

O Instituto JD Rodrigues de Marketing e Comunicação é a materialização de um sonho antigo, de uma prática antiga da agência e do Grupo OM: pesquisa e ensino. Precisamos formar nossos profissionais e ajudar na formação dos profissionais dos clientes. Não há empresa ou nação que prospere sem investimentos em ensino e pesquisa. Em tecnologia e inovação. N ão é diferente com as agências que, costumeiramente, confiam mais no empirismo e no "feeling" do que nos números e protocolos consagrados.O Instituto vem com o objetivo de treinar nossa equipe, e disseminar conteúdos relativos ao marketing e à comunicação para clientes e prospects.

Fale sobre o Modelo Unificado de Diagnóstico e Integração: qual o seu papel no trabalho da agência?  

Nosso Modelo Unificado de Diagnóstico e Integração é uma tropicalização do modelo de planejamento previsto no estudo da CIM. Integramos desde diagnóstico até mapa tático de ações, cruzando especialidades. A implantação das ações, todavia, fica por conta dos especialistas de cada área. Em real time, monitoramos performance por área de atuação e fazemos os ajustes necessários.

A agência tem uma história de longevidade. O que representa isso, hoje, no mercado, e como estabelecer relações duradouras com clientes? 

Sim. Tivemos clientes por 25 e até 30 anos conosco. Manter relações duradouras garante sinergia total entre agência e cliente, a ponto de podermos contribuir estrategicamente com o negócio de quem nos contrata. Como fazer isso: dando atenção permanente aos detalhes, investindo em inovação e ensino, e apresentando real interesse em ajudar o cliente no longo prazo. Ganhar menos, para ganhar sempre. E foco absoluto na qualidade da entrega.

Como foi o último ano para a agência?

Foi melhor que previmos no início de 2018, mas ainda sentimos a retração da economia.

Quais os desafios regionais do mercado hoje?

O crescimento acelerado das House Agencies, muito em decorrência do fim do nosso modelo de remuneração pelos veículos. E também a venda ou incorporação das empresas da nossa região por multinacionais com sede em São Paulo, o que diminui nosso mercado. Por fim, a mudança de investimentos de muitas empresas para reestruturação dos seus negócios pós crise de 2014. 

Como tem sido liderar a ABAP localmente? Que questões merecem atenção e tem sido abordadas pela entidade?

Nosso mercado tem menos agências do que poderia ter. O desafio é mostrar para as agências que é hora investir e acreditar no negócio da comunicação de modo estruturado e seguro. E a ABAP pode ser um bom auxílio para isso. O Compliance e a qualidade de gestão são assuntos sempre em voga.

Qual a sua visão do papel das agências hoje, junto aos clientes, e do futuro deste relacionamento, de uma maneira geral? 

É preciso manter o foco em vendas no curto prazo e em fortalecimento das marcas no longo prazo. E isso exige compreensão de cada segmento dos consumidores (personas), suas jornadas de compra, captação de dados de modo automatizado, customização de conteúdos por segmento de consumidor e atenção ao engajamento (Return on Engament) desses consumidores. É preciso investir em pesquisa, tecnologia de automação, Business Intelligence e foco nos indicadores de performance. 

O que esperar de 2019?

É um ano ainda desafiador, em que as agências terão que continuar provando sua importância estratégica para os clientes.