"A boa ideia nunca perde os seus poderes"


Mauro Dorfman, Presidente da ABAP Rio Grande do Sul e Presidente do Conselho da BriviaDEZ

Por Claudia Penteado 

No final do ano passado, a consultoria de serviços de marca Brivia e a agência de comunicação Dez anunciaram uma fusão, dando origem à BriviaDEZ, que nasceu com mais de 50 clientes e verba anual superior à R$ 140 milhões. Neste bate-papo, Mauro Dorfman, que liderava a Dez, faz um balanço dos primeiros meses desta que, segundo ele, é uma das agências de comunicação mais completas do país, com escritórios em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Novo Hamburgo (RS) e Florianópolis (SC). Presidente do Conselho da BriviaDEZ, Dorfman fala ainda sobre a experiência de comandar a ABAP no Rio Grande do Sul, do começo na profissão como diretor de arte, do seu amor à ideia e do projeto de internacionalização da empresa. 

Mauro, fale sobre a BriviaDEZ: como foi unir dois "DNAs" distintos, misturar tudo e "fazer o futuro", como você declarou recentemente?

A fusão resultou em uma das mais completas agências de comunicação do país. Unimos transformação digital e criatividade, gerando uma nova entrega de valor aos nossos clientes. A Brivia, com 11 anos de atuação no mercado brasileiro, trazia a expertise das soluções tecnológicas para grandes marcas; e a DEZ, com 25 anos de trajetória, somou com a sua metodologia própria para responder às necessidades contemporâneas da comunicação. Essa união cria a BriviaDEZ, que surge orientada por um mindset genuinamente digital e com o suporte de uma grande reputação criativa. Em um passo pioneiro e de enorme potencial, aumentamos a capacidade de apoiar nossos clientes a enfrentarem seus desafios. Em relação à nossa entrega para os clientes, nosso mantra é “estratégia, experiência e comunicação”.

Como foi a implementação do novo modelo de agência criado?

Somamos expertises e nos fortalecemos no mercado. Esse processo de crescimento tem se externalizado também em conquistas de negócio. A BriviaDEZ tem aumentado sua musculatura nacional, gerindo contas e criando projetos para grandes marcas no mercado nacional; vai iniciar também seu processo de internacionalização – entendemos que a tecnologia e a comunicação são indissociáveis num ambiente onde a experiência para o cliente se torna a principal entrega. 

Como os clientes reagiram, e como se cria uma nova cultura, misturando duas e possivelmente tendo que deixar algumas crenças para trás?

Nada foi deixado para trás. É uma equação de soma, de multiplicação. Não é subtração. Os talentos foram valorizados, as contas agregadas, incorporamos expertises e, assim, qualificamos nosso capital humano e nossas entregas.

Dá para fazer um balanço da fusão até o momento?

Tem sido uma experiência valiosa. Temos crescido como modelo de negócio e também no convívio. Apesar de termos promovido a fusão de duas empresas com DNAs diferentes e com forte legado cultural, não houve conflitos na integração. Creio que isso se deve ao fato de a BriviaDEZ ser fruto de um projeto com uma lógica clara e com forte sinergia. Crescemos todos no início. Já agora, somos uma só marca: BriviaDEZ.

Como você começou em propaganda?

Comecei meu envolvimento com a comunicação ainda menino, através da paixão por quadrinhos e artes gráficas, em especial o desenho de cartazes e capas de livros e discos. Comecei a brincar com design editorial na adolescência. Editei uma revista de quadrinhos, onde criava anúncios para financiar a impressão. O caminho até a direção de arte foi natural. Isso me levou à faculdade de Publicidade e Propaganda. No começo dos anos 90, junto com amigos da vida que também eram colegas de agência, fundamos a DEZ, onde atuei como diretor de criação e finalmente como administrador e CEO da empresa.

E o que encanta você nessa indústria?

Confesso: não entrei na propaganda por amor às marcas nem por paixão às estratégias. Foi por amor à ideia mesmo. À ideia, à estética e aos efeitos benéficos que elas causavam em mim e nas pessoas. Com o tempo, aprendi a entender e valorizar os resultados que nosso trabalho proporciona para os clientes e seus públicos e que são a razão de existir de um rico ecossistema.

De tudo o que mudou, em meio a tantas transformações, há algo que se mantém, que não muda? Ou isso é nostalgia?

As empresas e suas marcas continuam tão necessitadas de relevância e resultados como sempre foram, talvez até mais em um tempo de tanta fragmentação e desmaterialização das experiências de consumo. E nunca houve tanta comunicação, tanto canal, tanta expressão. Então, como assim "a publicidade está em crise"? Certamente não dá para querer aplicar sempre as mesmas técnicas, velhas respostas para novas perguntas. Sempre fomos antenas do novo.

Como vai a publicidade no Sul, no seu mercado?

Atualmente nossas sedes estão em Novo Hamburgo (RS), Porto Alegre (RS), Florianópolis (RS) e São Paulo. Embora tenhamos nascido na região Sul e ainda mantermos grande conexão, cada vez mais pensamos no mercado como Brasil. A maioria dos nossos clientes, inclusive, estão nas principais capitais financeiras do país. Isso aumenta nossa responsabilidade. Ou seja: amplia nosso olhar para o mercado publicitário até internacionalmente.

E como foi o último ano para o mercado em geral?

Tem sido desafiador. Para a propaganda, mas para todos os mercados também. Ainda assim, tivemos números positivos. Crescemos 40% em 2018 e as perspectivas para 2019 são igualmente otimistas. 

E como tem sido o desafio de liderar a ABAP localmente? Quais são as causas regionais da entidade, como ela atua localmente, e qual a sua visão sobre o seu papel?

O mercado gaúcho de comunicação está vivendo múltiplos desafios - a longa crise econômica que afeta nosso país e que insiste em não acabar se soma às transformações específicas por que passa nossa atividade. No Rio Grande do Sul, a ABAP trabalha em total harmonia e conjuga esforços com as outras entidades do setor, como a tradicional ARP e o Sinapro-RS. Atuamos em conjunto para representar as empresas e profissionais, bem como para promover o debate sobre o presente e o futuro da publicidade e da comunicação.

O que esperar de 2019? 

Temos um processo de internacionalização saindo do papel. A ideia é abrir mais duas unidades fora do país, onde já detectamos que há mercado e espaço para crescer mais.

E qual a sua visão, hoje, do cenário atual para a propaganda, e do seu futuro?

Todos os segmentos da atividade humana estão sendo afetados pela revolução tecnológica. Alguns setores mais do que outros. A comunicação e o marketing estão no olho do furacão. Temos que abordar esse momento com a mente aberta, com amor pelo futuro. Nada de velhas respostas para novas perguntas. É preciso entender nosso ofício para além dos formatos conhecidos. Há muito tempo trabalhamos com dados de pesquisa e métricas de retorno para criar e balizar nosso trabalho. Mas a criatividade e a intuição sempre tiveram o papel principal. A grande novidade, fora as inovações técnicas, é a afirmação da ciência de dados como novo elemento dominante. Segundo as tendências, nenhum esforço terá valor e nenhum investimento será aprovado se não tiver KPIs claros e algoritmos cada vez mais refinados. Creio que com o tempo, vamos evoluir para um caminho do meio, pois é evidente que nossas mentes e afetos continuam humanos e portanto sensíveis ao que é relevante, emocionante e encantador. E é por aí que a ideia boa nunca perde seus poderes.