"Proposta sem propósito não tem valor"


Frederico Parma, Sócio da ZF Comunicação e Presidente da ABAP Goiás 

Por Claudia Penteado 

Frederico Parma, sócio da ZF, ajudou a fundar o capítulo da ABAP em Mato Grosso e, este ano, assumiu a presidência da ABAP Goiás. Neste bate-papo, ele fala sobre como vem buscando ampliar a valorização do trabalho das agências na região, valendo-se de um mercado local com varejo forte, e movimentado pelo agronegócio e pólos industriais. Sua missão inclui contribuir para mostrar ao anunciante a diferença entre gastar e investir. No próximo dia 6, ele leva ao mercado o tema Compliance, apresentando o guia criado pela ABAP Nacional, e que já está se espalhando pelo Brasil.  "O tema é enorme e urgente", diz o executivo. 

Frederico, conte um pouco da sua trajetória dentro da ABAP.

Sou sócio da ZF Comunicação, uma agência que tem a matriz em Cuiabá-MT. Em meados de 2013, nos associamos à ABAP e, junto com outras agências, trabalhamos para fundar o capítulo do estado de Mato Grosso, que ocorreu em 2015, do qual integrei a primeira chapa como Diretor Financeiro, junto com Álvaro de Carvalho (Soul Propaganda) na presidência e o Gustavo Vandoni (FCS) como Diretor de Relações Interassociativas.

Por que você decidiu buscar a presidência da entidade este ano, no mercado de Goiás?

Quando chegamos no mercado goiano, em julho de 2018, para abrir uma filial da ZF na capital, ouvi uma coisa que me incomodou muito: veículos e anunciantes falando mal do trabalho das agências de Goiás. Para mim, achei muito injusto ouvir isto, até porque também sou agência. Principalmente daqueles que deveriam ser os nossos maiores parceiros. Aí o Zander, que já me conhecia da ABAP, me convidou para compor a chapa, porque todos os outros associados de Goiás já haviam colaborado e eu era o sangue novo, o neófito no capítulo de Goiás. Então, para mudar a percepção do mercado sobre o trabalho das agências, aceitei o desafio.

Como anda o mercado local, e que balanço você faz da atuação da sua agência neste mercado, após a expansão a partir de Mato Grosso?

Primeiro, o mercado de Goiás é bastante concorrido e de bastante qualidade criativa, mas tem nivelado a remuneração das agências por baixo. Esta foi a principal dificuldade que encontrei. Presenciei o anunciante tratar a agência como um simples bureau de arte e mídia para executar uma ideia que já traz pronta, desprezando toda a experiência tática e criativa que as agências têm. A ZF tem conseguido abrir oportunidades apresentando, não propostas de preço, mas planos de ação para alcançar um resultado específico determinado pelo cliente. Proposta sem propósito não tem valor, viram só proposta de preço. Com isso, fica muito transparente o que vamos fazer e qual é o investimento. Trabalhamos em cima da tabela referencial do SINAPRO-GO, desconto-padrão e honorários de produção.

Que peculiaridades regionais existem, nas quais a ABAP local pode atuar, por exemplo?

Temos um mercado de varejo forte, agronegócio e pólos industriais. Acredito que a ABAP Goiás pode aquecer estas bases produtivas para conversarem mais e melhor com seus consumidores. Muitos estão fora do mercado ou até copiando receitas prontas de 10 anos atrás. Estes dias me perguntaram o que as novas tecnologias fizeram à publicidade e eu respondi: nada, a publicidade sempre foi e continua sendo a ideia criativa. Pode até ter novas formas de conversar com o consumidor, mas o que o atrai é o assunto da conversa, não a rodinha. Podemos contribuir muito para mostrar ao anunciante e diferença entre gastar e investir. Hoje, o anunciante que bota qualquer coisa na rua, gasta. Aquele que investe numa boa ideia, bem colocada, investe. E tem mais resultado.

Como o tema Compliance vem sendo tratado no mercado local, e qual a importância de levar o tema para a mesa no evento do dia 6 de junho?

A importância é enorme e urgente. Alguns estados no Brasil já estão exigindo programas de Compliance de forma obrigatória para as empresas que negociam com a Administração Pública como, por exemplo, o Governo do Distrito Federal. O Governo do Estado de Goiás apresentou, em fevereiro deste ano, o seu Programa de Compliance. Agora, temos a oportunidade de trazer para todo o mercado de comunicação – anunciantes, veículos, fornecedores e agências, as diretrizes que foram compiladas pela respeitadíssima Fundação Dom Cabral, um material de qualidade que explica e orienta quais as melhores práticas que estão em conformidade para atuação junto a órgãos públicos, autarquias, empresas de economia mista e até empresas privadas sem que haja nenhum prejuízo, legal e ético – e consequentemente, financeiro – para todas as partes. Levar este tema e apresentá-lo para o mercado mostra a maturidade e inovação do nosso segmento.

Qual a sua visão de 2019? Como o ano deve terminar? 

No Brasil inteiro, há uma expectativa muito grande para as reformas propostas pelo Governo Federal acontecerem, principalmente os anunciantes. Esta expectativa tem causado uma retração nos investimentos. Acredito que, com a reforma da previdência, o mercado tende a se animar, a acreditar e investir. Com o mercado animado, empregos e crédito aumentam, fazendo a roda girar. Se tudo isso acontecer, acredito que o ano termina em subida, puxando excelentes perspectivas para 2020.

Conte um pouco da sua trajetória na publicidade, desde a sua escolha por esta profissão.

Cresci em Goiânia assistindo, ouvindo e lendo campanha memoráveis. Mas, na época do vestibular, escolhi fazer Medicina, que tentei por 2 anos. Como não passava – apesar de estudar muito e ter ótimas notas nos simulados -, dei um tempo e fui morar em Americana-SP, onde tive contato com o trabalho de uma agência que trabalhava para uma equipe de som e uma rádio na cidade. O trabalho era muito bom e me interessei muito. Uma “namoradinha” da época tinha passado para Direito em Cuiabá e me chamou para prestar vestibular lá em Mato Grosso. Perguntei se tinha o curso de Publicidade e me inscrevi. Prestei e passei – com a mesma pontuação para passar para Medicina. Como disse meu pai, era o meu destino. No primeiro ano da faculdade, estudei com meu sócio atual, Ziad Fares, que no segundo ano foi para São Paulo terminar o curso na Anhembi-Morumbi. Entrei no mercado em 1998. Nesta época, gravávamos os materiais e outras praças, que eram enviados para aprovação via VHS, por VaspEx – duas coisas que ninguém mais sabe o que é. Ziad retornou em 2002 para Cuiabá e abriu a ZF Comunicação. Em 2004, a ZF ganhou a conta da Unimed Cuiabá – anunciante com o qual eu já tinha trabalhado em outras duas agências – e o Diretor de Mercado pediu que me contratasse. Nos reencontramos como profissionais e até hoje somos parceiros profissionais – e sócios desde 2009. Ah tá, a minha namorada que me chamou para ir para Cuiabá? Ficamos só 3 meses juntos. Minha esposa atual lhe agradece até hoje.

 

A ABAP-GO realiza o lançamento das Diretrizes de Compliance no dia 6 de junho, às 9 horas, no auditório do Sesc-GO, no Centro de Goiânia. O evento contará com a presença do subchefe da Controladoria Geral do Estado de Goiás, Sr. Marcos Tadeu de Andrade, da gerente de Grandes Organizações Privadas da Fundação Dom Cabral, Maria Cristina Leão, do chief Compliance officer da DPZ&T, Tonico Pereira, e do advogado especialista em Direito Empresarial e Compliance da Peixoto & Cury Advogados, Dr. José Ricardo Bastos Martins, além dos membros da Nova Diretoria da ABAP Goiás: Frederico Parma, Presidente, Joel Fraga Borges, Diretor de Relações Associativas, e Rosenwal Ferreira, Diretor Administrativo Financeiro. Na ocasião também será realizada a cerimônia de posse da Nova Diretoria. Às 11 horas, será promovido debate com jornalistas e convidados. A iniciativa tem apoio do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac-GO.