A César o que é de César na reforma da Previdência


Por Mario D'Andrea, Presidente da ABAP Nacional e da Dentsu Creative Group

Governo Bolsonaro acerta ao pulverizar publicidade

 

Quando as águas se mostram turbulentas, agitadas, com várias correntes indo e vindo, a sabedoria diz que o melhor a fazer é procurar um porto seguro e esperar as coisas acalmarem. Nesse momento, os verdadeiros capitães, os que realmente entendem do assunto, se mostram fundamentais para o sucesso da viagem.

Ao contrário do que diziam os “profetas” de plantão (dentro e fora do governo), fazer comunicação no Brasil não é tão simples e muito menos se resolve com apenas um ou dois veículos. Há alguns dias, o governo federal lançou a segunda fase daquela que talvez seja a mais importante campanha de comunicação dos próximos anos: a de defesa da reforma da Previdência. Intitulada de “Nova Previdência. Pode perguntar”, a iniciativa utiliza um completo mix de meios e veículos. Completo e inteligente — como todo mix de comunicação deveria ser.

Qualquer bom profissional de mídia irá dizer o mesmo que direi aqui: em comunicação não existe “ou isso ou aquilo”. Existe, sim, o “tudo junto, combinado”. Traduzindo: todo meio tem suas peculiaridades, fortalezas e fraquezas. Por isso, a inteligência manda combiná-los de forma a atingir a maior eficiência possível em cada real investido.

Essa sempre foi — e sempre será — a forma com que as boas agências brasileiras sempre trabalharam com o dinheiro de seus clientes.

A mídia brasileira é uma área técnica avançadíssima se comparada a vários outros países. Ferramentas altamente sofisticadas — e caras — aparelham esses departamentos. Várias simulações e exercícios são efetuados através dessas ferramentas e dezenas de profissionais são envolvidos na procura do melhor plano de mídia e da melhor combinação para se atingir determinado tipo de consumidor. E, em se tratando de investimento público, essa eficiência é ainda mais fundamental.

Estamos falando de verbas do Orçamento do governo; portanto, cada real conta. E muito.

Por isso, foi com satisfação que o mercado de comunicação percebeu que havia inteligência por trás do plano desta campanha da Previdência e que o governo decidiu lançar mão de todo o conhecimento que o mercado publicitário brasileiro detém há décadas.

Tanto no conteúdo — direto, didático, como se fazia necessário — quanto na forma de divulgação. Foram utilizados a TV aberta, a TV fechada, o rádio, o digital, a mídia exterior. Todos esses meios, entre outros, são fundamentais para cobrir um país de dimensões continentais como o Brasil e falar com a grande massa e a opinião pública.

Uma outra característica deste país que as mídias das agências sempre levam em consideração: as grandes diferenças regionais. Portanto, capilaridade e proximidade são fundamentais para se conversar com cada consumidor brasileiro. Também nisso a campanha da reforma da Previdência foi feliz: em rádio, por exemplo, foram mais de 2.000 emissoras incluídas no plano de mídia.

Nos últimos tempos ouviu-se muito que apenas com esse ou aquele meio é possível atingir todos os brasileiros. Afirmar isso é simplista, para não dizer ineficiente. E mostra desconhecimento do quão é complexa a profissão de um publicitário (aqueles de verdade, não os aventureiros de plantão).

Vamos dar a César o que é de César. O digital, amigos, é como eletricidade: envolve toda e qualquer atividade humana. A TV atinge a grande massa de pessoas — 88% dos brasileiros assistem à televisão.

De novo: não é um ou outro. Números mostram que os meios interagem e se falam o tempo todo: 97% dos tweets são sobre conteúdo da TV.

Empresas nativas no digital utilizam TV, jornal e “out of home” (as mídias externas) para ajudar na construção de suas marcas. Artistas e blogueiros têm aumento de até dez vezes o seu número de visualizações ou de seguidores nas redes sociais quando aparecem na televisão.

Enfim, são infinitos os exemplos de que a integração na comunicação é fundamental para se atingir o pleno sucesso. Por isso, na próxima vez que você, empresário, precisar construir sua marca ou divulgar seu produto para um público específico, faça como o governo acaba de fazer na sua campanha em defesa da Previdência: utilize os serviços de quem sabe. As agências brasileiras.

 

Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo de 6 de junho de 2019.