"Vamos precisar trabalhar muito"


Marcela Neves de Andrade, Presidente da ABAP Pernambuco e diretora de operações da Martalima Comunicação

Por Claudia Penteado 

Marcela Neves de Andrade, diretora de operações da Martalima Comunicação, sediada em Recife, está entre as novas lideranças da ABAP este ano, ao assumir a presidência da ABAP Pernambuco. A agência é associada à entidade desde 2002, e em 2015, Marcela aceitou o convite de Alfrízio Melo para entrar na diretoria (como diretora administrativa financeira), e seguiu como diretora de relações interassociativas na gestão de Giovanni di Carli. Agora, na presidência, ela decidiu formar uma diretoria totalmente feminina, acreditando ser um momento propício. Neste bate-papo bastante otimista, Marcela fala sobre mudança, oportunidades, planos e desafios. "Não acredito em milagres. Vamos precisar trabalhar muito esse ano", ela diz, sobre 2019.

O que levou você à presidência da entidade este ano, no mercado de Pernambuco?

Eu aceitei a missão. Resolvi assumir o cargo porque acho que o nosso negócio está passando por um momento importante e a ABAP sempre atuou de forma relevante nas conquistas e evoluções do nosso mercado.

Como anda o mercado local?

O mercado local está passando por um momento delicado, não só pela crise que atingiu todos os setores da economia brasileira, reduzindo o investimento publicitário consideravelmente, mas também pela mudança do negócio de comunicação. Com o crescimento acelerado do digital e a mudança de hábito do consumidor de conteúdo e informação, as agências e veículos estão se adaptando à nova realidade.

Que balanço você faz da atuação da sua agência?

Somos uma agência de médio porte em relação ao nosso mercado, fizemos 25 anos de atividade no último dia 9 de maio e temos orgulho da nossa trajetória. A Martalima é uma agência ética, criativa e apaixonada pelo que faz. Temos uma carteira de clientes estável, mas sempre buscamos novas oportunidades de mostrar o nosso trabalho em diversas áreas, como varejo, contas públicas, indústria, imobiliário, serviços, institucional e social. Temos clientes com quase 20 anos de casa, e uma equipe bem equilibrada, com profissionais experientes e novos talentos que, juntos, fazem um trabalho atual e consistente. Nossa relação com os parceiros do mercado, de agências a veículos e fornecedores, é muito boa.

Que peculiaridades regionais existem, nas quais a ABAP pode atuar localmente?

Temos um mercado maduro, com muita gente competente, e um Fórum organizado com as agências afiliadas à ABAP e ao Sinapro, que se reúnem mensalmente no Recife para discutir e trabalhar pela permanente evolução do nosso negócio. Temos um bom potencial de crescimento das agências do interior também, mas temos limitações para atuar nesses mercados. A nossa unidade não tem autonomia financeira, o que impossibilita o planejamento de ações mais distantes, que demandam investimento.

Como temas mais densos - como Compliance, por exemplo - vêm sendo tratados no mercado local, e qual a importância de levá-los para a mesa? E que outros temas relevantes devem entrar em pauta?

As "Diretrizes de Compliance" para o nosso negócio foram um grande passo para chegar ao mercado que desejamos. As agências mais organizadas e engajadas entendem a importância do tema e desejam abraçar e fazer acontecer de verdade, mas na nossa realidade ainda temos algumas empresas que não têm o mesmo compromisso com a ética e sobrevivência do mercado. Outros temas interessantes seriam o peso da nossa tributação, a relevância das agências (nesse novo mercado) e o assédio moral corporativo.

Como é a participação feminina na liderança em agências no seu mercado, e como você vem endereçando este assunto tanto como líder de entidade quanto como gestora na sua agência?

Nossa realidade é parecida com a realidade nacional, a mulher está crescendo no mercado. Ainda não somos maioria, mas já temos muitas mulheres na liderança das agências, algumas delas desde a fundação, como é o nosso caso. A Martalima foi criada e batizada pela minha sócia Marta, nossa presidente, e eu ocupo a Diretoria de Operações da agência, ao lado dos nossos sócios Daniela Krause, que é diretora de criação, e Alessandro Macedo, que é diretor de mídia. Somos maioria, tanto na diretoria, quanto na equipe. Aconteceu naturalmente, mas, eventualmente, somos taxadas de feministas. Na ABAP, fui a voz feminina na diretoria, sempre muito bem recebida pelos meus colegas. Como disse, aceitei o desafio da presidência e quis trazer uma diretoria toda feminina, como um marco, para mostrar como evolui o nosso Estado, sem desmerecer nossos colegas homens que já fizeram muito pelo mercado.

Conte um pouco da sua trajetória na publicidade, desde a sua escolha por esta profissão.

Sempre tive facilidade para escrever e falar em público, cheguei a ter dúvidas entre Direito e Comunicação. Passei nos dois vestibulares, mas na hora da matrícula deixei o coração escolher. Fiz a minha graduação em Comunicação, com especialização em Publicidade e Propaganda, na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Participei de uma seleção para estágio na agência Gruponove em 1989, onde fui uma dos dois admitidos como estagiários entre 60 candidatos. Posteriormente, virei funcionária e fiquei lá por mais de 2 anos. Nesse período, fiz também uma pós-gradução em Marketing na Universidade de Pernambuco - UPE. Em 1995, após ter a minha primeira filha, entrei na Martalima para trabalhar no Atendimento. Achei o meu lugar. Após 3 anos, enquanto ainda amamentava a minha segunda filha, fui convidada para ser diretora de atendimento e, no ano 2000, virei sócia de Marta, junto com Daniela e Alessandro. Em 2010, tive minha terceira filha, e em 2012 assumi a diretoria de operações da agência. O nascimento das meninas me ajuda a lembrar das datas que marcaram a minha trajetória na agência, que é a minha segunda casa.

Qual a sua visão de 2019? Como o ano deve terminar? 

A mudança é lenta, mas estou otimista. Já estivemos em momentos bem piores.As coisas estão retornando aos poucos. Não acredito em milagres. Vamos precisar trabalhar muito para esse ano terminar melhor do que 2018. Vamos conseguir.