“A transformação da comunicação das marcas está no radar das produtoras”


Paulo Schmidt, Presidente da APRO

Por Claudia Penteado

Branded Content está entrando na pauta do IV Fórum de Produção, que será realizado pela Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (APRO) em maio. Esta é uma das novidades que simbolizam as transformações da área coberta pela associação presidida por Paulo Schmidt. Nesta entrevista ele fala dos desafios da entidade, como contribuir para a exportação da produção audiovisual, com a formação dos gestores do setor e a defesa da transparência das relações comerciais entre produtoras, agências e anunciantes.

A FilmBrazil acaba de voltar de dois eventos nos EUA: levou o Brazilian Directors Showcase a Los Angeles e SXSW.   Quais as perspectivas de exportação de negócios das produtoras?

Schmidt: O “Brazilian Directors Showcase”, que aconteceu no início de março nos EUA, já rendeu os primeiros contratos de produção.  Os negócios entre as produtoras brasileiras e agências norte-americanas somam até agora US$ 300 mil, o que é 10% do objetivo desenhado para os próximos 12 meses. Estamos falando de um projeto que nasceu há pouco tempo e já se tornou muito importante para a expansão internacional desta ala de nossa economia criativa. Os talentos brasileiros da produção audiovisual não estão deixando nada a desejar quando se trata de se vender lá fora.

O Objetiva Audiovisual, projeto de capacitação dos Empresários do setor Audiovisual da APRO, está  em fase de renovação de parceria com o Sebrae. O que a APRO está fazendo pelo desenvolvimento dos profissionais do segmento?

Schmidt: O Objetiva é um projeto criado em 2013 que conta com importantes pilares estruturantes, como Capacitação, Modelos Referenciais de Contratos e Guia Audiovisual. Em parceria com o Sebrae, realiza o “Empreendedorismo em Foco”, Projeto de Capacitação de Empresários do Setor Audiovisual voltado às produtoras de micro e pequeno portes de todo o País. Juntos, lançamos recentemente um grande estudo, a Pesquisa de Mapeamento e Impacto Econômico do Setor Audiovisual no Brasil, que inclui dados relevantes sobre o mercado publicitário. A renovação deste convênio está em andamento e será de grande valia para a continuidade de todo o trabalho, que prevê módulos em diversas capitais do País. Está no nosso DNA ajudar a qualificar as empresas voltadas à produção audiovisual também fora do eixo Rio-São Paulo para profissionalizar e qualificar cada vez mais o segmento como um todo.  Novamente aqui, vamos dar especial atenção ao Branded Content e capacitação para trabalhar com o mercado internacional.

A APRO está em fase de finalização de seu IV Fórum de Produção, com a atualização do manual para o mercado de produção e filmes de publicidade, regras e contratos. Que novidades o Fórum trará?

Schmidt: O IV Fórum de Produção Publicitária, com toda a atualização das relações entre as partes envolvidas na produção audiovisual, será apresentado em maio. Talvez a maior novidade seja a inclusão do Branded Content. A transformação da comunicação das marcas está no radar das produtoras. Ele acontecerá dentro de um evento maior que estamos montando para colocar a produção e seus respectivos talentos no lugar de destaque que merecem dentro do processo de inovação e desenvolvimento da comunicação publicitária. Este evento terá caráter internacional e também incluirá uma premiação aos profissionais da área. 

A APRO está comemorando um ano desde a publicação de seu novo Código de Conduta. Quais os benefícios para o mercado de produção e publicidade desde então?

Schmidt: Trata-se de um marco para todo o mercado comemorar. Este compromisso que todos os associados da APRO assumem de  trabalhar seguindo as melhores práticas no mercado audiovisual nos fortalece, mas o objetivo final é mesmo garantir uma produção de qualidade que só tem benefícios para a publicidade brasileira. E em tempos como este que estamos vivendo, a observância da regras de “compliance” servem acima de tudo para garantir a transparência e lisura de todos os negócios. Abolir a prática de pagamento do BV de produção significa hoje, mais do que nunca, participar de um mercado justo e com relações empresariais às claras.

Uma das preocupações da APRO hoje é que algumas agências de publicidade estariam estabelecendo produtoras in house. Como resolver o impasse?

Schmidt: Estamos observando a entrada destes players, a despeito da legislação que claramente proíbe a produção audiovisual in house, quando houver  mídia,  operando como agência e produtora.  É o que preveem as normas do CENP. Esperamos sinceramente que estas empresas sigam as regras vigentes no mercado e se adaptem, sob o risco de se perderem os parâmetros que normatizam toda a nossa atividade.  A produção audiovisual no Brasil deve ser produzida por empresa legalmente constituída e com registro na Agência Nacional do Cinema – Ancine.