ABAP 70 Anos: Alex Periscinoto, Antonio Mafuz, Luiz Celso de Piratininga e o 2º EBAP


Nos anos 80, o Brasil passava por profundas mudanças políticas e econômicas. Havia uma nova Constituição. E havia a inflação. Conheça três Presidentes da ABAP que enfrentaram essas mudanças: Alex Periscinoto, Antonio Mafuz e Luiz Celso de Piratininga. Descubra também um pouco sobre a "Carta de Salvador", elaborada ao final do 2º EBAP- Encontro Brasileiro de Agências de Propaganda. 

 

O premiadíssimo publicitário Alex Periscinoto foi presidente da ABAP entre 1982 e 1984. Periscinoto foi sócio e diretor de criação da Alcântara Machado, Periscinoto Comunicações – a Almap, até 1997, tornando-se depois sócio da SPGA – Salles, Periscinoto, Guerreiro e Associados.

Indicado pela SAWA como primeiro representante do Brasil no júri do Festival Internacional do Filme Publicitário, hoje Cannes Lions, Periscinoto ainda foi membro do júri internacional do Clio Awards e do American TV & Radio Commercials Festival, dentre muitos outros. Ao longo de sua destacada carreira publicitária, Periscinoto trouxe para o Brasil o modelo de duplas de criação.

À frente da ABAP, Periscinoto sucedeu Petrônio Corrêa e deu continuidade na luta das agências pelo aprimoramento do negócio publicitário e da livre empresa, pela promoção da propaganda como atividade e classe profissional e pela defesa da Lei 4.680/65, que regula a publicidade. Durante sua gestão, também foi inaugurada a sede própria da ABAP, atual escritório da ABAP Nacional.

 

Fundador da MPM Propaganda e um dos mais importantes nomes do mercado publicitário, Antonio Mafuz foi presidente da ABAP no Biênio 1987-1989. Ao longo de sua carreira, trabalhou e dirigiu jornais, rádios e TVs e fundou a agência de publicidade Sotel, que inovou tecnicamente a propaganda no Rio Grande do Sul. Em 1957, com Petrônio Corrêa e Luiz Macedo, fundou a MPM.

Os dois anos em que Antonio Mafuz foi presidente da ABAP coincidiram, em grande parte, com a elaboração da Nova Constituição. Mafuz desenvolveu intensa ação política, liderando, inclusive, uma numerosa caravana de publicitários a Brasília com a finalidade de esclarecer as principais lideranças partidárias sobre eventuais restrições à propaganda.

Mafuz também foi fundador e primeiro presidente da ARP – Associação Riograndense de Propaganda.

 

Luiz Celso de Piratininga, fundador e dirigente da agência ADAG, foi Presidente da ABAP de 1989 a 1991. Piratininga foi idealizador e organizador do III Congresso Brasileiro de Propaganda e também foi Presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Sua atuação associativa teve papel preponderante e de grande relevância para o mercado publicitário, tendo ele também estado à frente da APP, do SINAPRO-SP, e do I CIBAM – Congresso Ibero-Americano de Publicidade, em 79, entre outros.

Ao assumir a presidência da ABAP, Piratininga deu sequência à contestação, iniciada na gestão de Antonio Mafuz, do projeto de lei que pretendeu criar o “Código Nacional de Propaganda”. Também durante sua gestão foi realizado o 2º EBAP – Encontro Brasileiro de Agências de Propaganda.

 

Em outubro de 1989, a ABAP realizou, em Salvador, o 2º Encontro Brasileiro de Agências de Propaganda. Os dois dias de reuniões de trabalho de seis comissões e uma sessão plenária levaram à elaboração da “Carta de Salvador”. O documento incorporou as principais recomendações aprovadas no encontro e que representavam o pensamento da ABAP e das agências associadas. Entre os itens abordados na “Carta de Salvador” estava a importância da classe publicitária em empreender esforços para combater a inflação, a luta contra o rebaixamento dos honorários das agências, o contínuo apoio ao CONAR e ao fortalecimento da aplicação do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, a reafirmação da posição contrária à filiação de “house agencies”, a luta contra a cartelização e a monopolização e a favor da ética e da concorrência livre, e a defesa da Lei 4.680 e contra os birôs de mídia.

A carta encerra-se com o seguinte parágrafo:

“Como sempre o fez, a classe publicitária deve continuar engajada na luta pela democracia, pela economia de mercado, pela livre expressão, pelo direito à informação e pela modernização institucional da vida brasileira.”