"Publicidade bem feita tem um poder muito grande" - Adriana Machado, presidente da ABAP-MG e presidente da Tom Comunicação


Por Claudia Penteado

Ao tomar a decisão de ficar mais um mandato à frente da ABAP em Minas Gerais, a líder mineira explicita o desejo de manter uma liderança feminina numa entidade importante do mercado, colaborando com sua perspectiva e voz. Adriana tem promovido importantes discussões em torno do tema Compliance, esmiuçado e debatido em diferentes ocasiões.

Adriana Machado, presidente e diretora de Inspiração da Tom Comunicação, em Belo Horizonte, aceitou o desafio de seguir por mais um mandato à frente da ABAP em Minas Gerais. A decisão de ficar tem muito a ver com o desejo de manter uma liderança feminina numa entidade importante do mercado, colaborando com sua perspectiva e voz. Adriana tem promovido importantes discussões em torno do tema Compliance, colocado na mesa, esmiuçado e debatido em diferentes ocasiões. Neste ano que teve início com a tragédia de Brumadinho, o que afetou profundamente a economia do Estado, Adriana está confiante em um desfecho mais otimista. "Acho que o nosso setor deve ver um último trimestre mais parecido com o que se pode chamar de normal", afirma.

Por que você decidiu aceitar o desafio de ser presidente da entidade no seu mercado?  

Eu participo da diretoria da Abap Minas há 10 anos, 2 anos e meio dos quais como presidente. Aceitei o convite para entrar na diretoria por acreditar que poderia dar boas contribuições para a entidade, especialmente de natureza técnica: propondo projetos (como os Painéis Abap – eventos com palestrantes nacionais e internacionais) e contribuindo na implementação de inciativas propostas por outros presidentes (como o Prêmio Abap de Sustentabilidade).

A minha ida para a presidência acabou acontecendo de forma mais ou menos natural. Mas boa parte de eu ter aceito se deveu a acreditar que é importante termos lideranças femininas nas entidades e organizações. Somos uma parte muito importante do mercado e ele não pode prescindir de nossa perspectiva e voz.

Como anda o mercado em Minas Gerais?Quais são os maiores desafios, os pontos fortes?  

Começa a dar sinais de mais vitalidade (assim como os demais do país). Em Minas temos dois aspectos particulares: nossa economia é baseada em empresas de serviços e em indústria que se comunicam com outras empresas, mais do que consumidores finais. Temos poucas empresas com perfil de grandes anunciantes, que comercializam produtos voltados para o consumo de massa. Este perfil oferece grandes desafios, mas também enormes oportunidades: se você consegue ajustar a qualidade dos seus serviços e um modelo de negócio ajustado a esse perfil de cliente e trabalho, têm-se um grande trunfo competitivo nas mãos.

Que planos você e sua diretoria têm para a sua gestão?  

Nós seguimos aqui no trabalho de implementar programas de compliance nas agências filiadas dando sequência ao lançamento das Diretrizes de Compliance da Abap. E incentivando o mercado – clientes e fornecedores – a adotarem as melhores práticas. Isso significa lembrar da importância observar CENP, Conar, trabalhar para coibir práticas abusivas nas concorrências para contratação das agências.

Qual a sua visão do ano de 2019 - perspectivas, possibilidades, resiliência? 

Acredito que o ano possa terminar muito melhor do que começou. Particularmente em Minas, que começou não só com imensas dificuldades em suas contas públicas, mas também com uma grande tragédia humana com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. O acidente teve ainda importantes impactos na economia do estado, muito influenciada pelo desempenho do setor minerometalúrgico.

 Mas já se começa a ver um aquecimento no varejo e no setor de serviços e um clima mais favorável para as indústrias do estado.Acho que o nosso setor deve ver um último trimestre mais parecido com o que se pode chamar de normal.

Que outras questões urgentes entram no debate atual das agências? 


Particularmente, acho que um futuro próspero para as agências depende de conseguirmos avançar em duas frentes:

-  Difundirmos as métricas existentes e desenvolvermos novas métricas para a avaliação da eficácia dos programas de comunicação desenvolvidos. Não basta criarmos campanhas eficazes (e a criatividade é um aspecto fundamental para que isso aconteça), precisamos ser capazes de demonstrar esta eficácia. Isso não é tarefa fácil, afinal estamos falando de manter atributos das marcas para quem trabalhamos e acrescentar valor a elas, mas é possível; e

-  Desenvolvermos novos formatos de precificação e comercialização do nosso trabalho. Não estou falando de abrirmos mão das conquistas que o modelo brasileiro tem, mas de garantir que o trabalho e a capacidade da agência sejam efetivamente valorizados e remunerados.

O que encanta você na publicidade? 

A capacidade de mudar a realidade de pessoas, empresas e organizações.Publicidade bem feita tem um poder muito grande.