"Transformação é sempre sinônimo de oportunidade" - Eduardo Simon, CEO da DPZ&T e Vice-Presidente da ABAP


Por Claudia Penteado 

2019 foi um grande ano para a DPZ&T, de conquistas e performance bem fora da curva do mercado em geral. Um ano de conquistas de clientes, grandes campanhas e premiações como consequência. Mas o mais importante, segundo Edu Simon, CEO da agência e primeiro vice-presidente da ABAP, foi ter consolidado a vocação da empresa como parceira de transformação dos negócios dos clientes, meta estipulada por Simon desde a largada, quando assumiu o negócio há quase cinco anos. Simon, que concorre ao Caboré na categoria Dirigente da Indústria da Comunicação, diz que é um "timoneiro" à frente de um time do qual cobra performance, mas ao qual dá plenas condições para performar. Para ele, 2020 será um ano de grandes oportunidades.

Edu, esse foi um ano difícil e desafiador para o mercado publicitário. E foi um ano de grandes conquistas para a DPZ&T. Como você classifica este ano, na história da agência até o momento? Que nota daria para ele?

Este ano certamente ficará marcado na nossa história como um ano de grandes e fundamentais conquistas. Começamos o ano ganhando a conta digital de McDonalds, uma conquista simbólica para o nosso portfólio, e na sequência conquistamos Adria e Perdigão. E agora, conquistamos Big. São todas importantes conquistas do ponto de vista de receita e também fundamentais para a consolidação do nosso portfólio. Além disso, foi o ano que emplacamos projetos históricos como Leia para uma Criança, Caverna do Dragão e Méqui. O ano em que fomos agência do ano no Effie e colocamos a Renault como anunciante do ano; também ganhamos pela segunda vez seguida o prêmio “Profissionais do Ano” com Itaú. Porém, o mais importante foram os resultados que construímos para nossos clientes, consolidando nossa vocação em sermos parceiros de transformação dos negócios de nossos clientes. Eu daria uma nota 8.5 para este ano apenas porque sempre acho que dá para melhorarmos algo.

O ano apresentou dificuldades também? De que ordem elas foram para vocês?

Nosso maior desafio tem sido o de rentabilidade. Estamos em uma indústria em transformação e temos investido muito para liderar estas transformações. Para você ter uma ideia, investimos por ano mais de R$ 9 milhões em ferramentas de dados. Além disso, temos feito um esforço para mudar a natureza de nossos contratos com nossos clientes abrindo espaço para remuneração oriunda de revenue share, tech fee, venda de propriedade intelectual, consultoria e success fee. Tudo isso custa tempo e dinheiro, mas é uma “travessia” que temos que fazer para mudarmos substancialmente nosso negócio.

Como você, como gestor, acredita que contribuiu para os bons resultados obtidos?

Creio que meu papel é o de timoneiro. Eu tenho um time de sócios e de pessoas geniais, preciso garantir que eles funcionem em sintonia e que todos sigam na mesma direção. Além disso, tenho de estar conectado às transformações do negócio, da indústria e da sociedade.

Que estilo/tipo de gestor é você - que vem claramente sendo reconhecido e sendo indicado para premiações como o Caboré?

Sem falsa modéstia, o reconhecimento que tenho é pelo trabalho da agência e do time que montamos. Sou um gestor que cobra performance e dá condições para as pessoas performarem. Costumo dizer que meu maior desafio como gestor é alinhar a ambição pessoal dos meus talentos com a ambição da agência. Quanto melhor eu fizer isso, mais condição de sucesso eu terei.

Qual é a filosofia da agência hoje?

Eu não gosto de usar o termo agência para definir o meu negócio. Porque isso reduz aquilo que posso fazer para meus clientes. A verdade é que o nosso maior ativo é a intimidade que temos com os nossos clientes, seus dilemas e problemas. Daí surgem inúmeras alternativas que vão muito além de apenas uma solução de mídia. Com isso, acabamos colocando cada vez mais energia no diagnóstico dos problemas dos nossos clientes para então pensar em que tipo de solução ofereceremos. Pode ser uma campanha, a criação de um produto, um projeto de tecnologia, uma consultoria. O que queremos é ser parceiros de transformação de nossos clientes.

Qual a sua visão de 2020? O que esperar?

2020 é um ano de grandes oportunidades. A economia deve mudar o ritmo e as transformações impulsionadas pela tecnologia e uso de dados devem se acentuar, em todos os mercados. E transformação é sempre sinônimo de oportunidade.

Agora falando da ABAP. Qual a sua visão da atuação da entidade, e como enxerga seu papel hoje no mercado?

A ABAP tem um papel fundamental no mercado. Não apenas por defender as agências, mas por criar condições para que o mercado funcione de forma equilibrada e continue a sua transformação necessária. Para entender sua real importância temos que nos lembrar de dois fatores: a publicidade brasileira é uma das mais importantes do mundo. Somos exportadores de ideias e talentos e isso é verdade graças ao nosso modelo. Defender este modelo e dar condições para que ele continue evoluindo é fundamental. Por outro lado, muitas vezes esquecemos que o mercado brasileiro vai muito além do eixo São Paulo-Rio de Janeiro. E aí, entra a atuação das ABAPs regionais, que têm o papel de entender as realidades de cada mercado e a possibilidade de um diálogo equilibrado entre todos.

Como você acredita que vem contribuindo na entidade, participando da diretoria? Qual a importância de fazer parte da entidade?

Hoje sou o primeiro vice-presidente da ABAP e tenho trabalhado muito próximo do Mario D’Andrea nas grandes discussões fundamentais da nossa indústria. Eu penso que nunca vivemos mudanças tão profundas como as que estamos vivendo agora. Mudanças desafiadoras. Não podemos esquecer que temos um modelo vencedor no Brasil, sob a qual grandes marcas foram construídas gerando negócios, empregos e prosperidade para anunciantes de todo o pais. Espero estar contribuindo para perpetuar o sucesso da nossa indústria.