“O crescimento dos clientes é o motor do nosso crescimento”


Hugo Rodrigues, Presidente da Publicis

Por Claudia Penteado

Neste bate-papo, Hugo Rodrigues, presidente da Publicis, fala de conquistas, de amor pelo trabalho, dos desafios que o momento histórico impõem e da importância de defender relações de trabalho saudáveis. Para ele, disciplina e dedicação são mais essenciais do que o talento, crença que o acompanha e norteia sua atuação como gestor de uma das maiores agências do país.

A Publicis atravessa a crise fazendo conquistas e crescendo. O que contribuiu para isso?

Foco no negócio do cliente. E não apenas agora que está na moda falar isso. Mas é o nosso propósito: “Ser o parceiro ideal no processo de transformação dos negócios dos clientes, antecipando mudanças e oferecendo soluções com excelência e constante medição de resultados”. Apesar de toda a crise política e econômica que vivenciamos nos últimos dois anos, não desviamos em momento algum desse foco. Na Publicis, sentimos a dor de dono, fazemos dos desafios das marcas que atendemos os nossos desafios. O crescimento dos clientes é o motor do nosso crescimento. A maior prova disso é que nesse período pulamos da 11ª posição do ranking para a 5ª. E isso antes da conquista de novas contas da P&G e do Bradesco.

Que estilo você imprime à gestão da agência? Que tipo de gestor é você?

Eu sempre acreditei mais na disciplina e na dedicação do que no talento inato. Com talento, você tem chance de dar certo, mas com disciplina e dedicação, você tem quase certeza de que dará certo. Mais cedo ou mais tarde, dará certo. E esse é um tipo de gestão desgastante porque ninguém gosta de ouvir a verdade nua e crua. No fundo, o ser humano busca atalhos que revelem um caminho mais fácil. Como eu não os conheço, prefiro seguir o caminho mais longo, mas com maior probabilidade de sucesso.  

Qual a sua visão sobre a crise atual no setor como um todo e como as agências podem e devem se tornar cada vez mais relevantes junto aos clientes?

Quando o consumo se retrai, é normal que as marcas revejam investimentos e que a busca do “mais por menos” se intensifique. E isso tem dois lados. Há clientes que impõem às suas agências margens inviáveis e prospects que usam as concorrências como um mero mecanismo de negociação de preço. Nesse sentido, é importante que as agências se unam por meio de instituições como a Abap e imponham limites para que as relações de trabalho se mantenham saudáveis para todos. Por outro lado, a busca por produtividade é latente em todos os segmentos e não há por que ser diferente na publicidade. As agências, como todos os outros players do mercado, precisam ter compromisso com a eficiência.

Como você entrou para a publicidade?

Foi um caminho um pouco tortuoso. Antes de conseguir entrar na área, fui vendedor de diversos tipos de produtos, fiz inúmeros bicos e tive uma fábrica de espumas em Diadema que faliu. Até que comecei a trabalhar em agências de pequeno porte fazendo jobs em segmentos então considerados “menos nobres”, como era o próprio varejo. Na época, não era o meu sonho, como não é de nenhum criativo, fazer panfletos ou comerciais em que o locutor berra as ofertas, mas soube aproveitar essa experiência para aprofundar o meu conhecimento do consumidor e entender como responder às suas demandas com rapidez e assertividade. Acho que isso foi fundamental para que eu pudesse galgar novos degraus na minha carreira. Quando a Era Digital chegou, eu estava mais calejado para trabalhar com métricas e resultados. Gosto de pensar também que, em alguma medida, contribuí para tornar o varejo brasileiro mais atrativo.

E como lidou com a transição da criação para a gestão da agência? Você considera que seu job continua sendo criativo, numa outra medida?

Nunca acreditei que a publicidade é arte. Embora o nosso negócio tenha uma ligação muito profunda com a estética e a capacidade de emocionar (e em seus melhores momentos possa ser visto como cultura popular), para mim, ele sempre esteve ligado diretamente a resultados. Isso fez com que a minha transição de criativo para executivo, e depois presidente – um cargo que exige uma função muito ampla de atendimento, entendimento de números e da agência como um todo –, foi muito natural. Mas a minha essência é de criativo. Continuo lançando esse olhar sobre todos os nossos trabalhos, participo da direção de criação e às vezes da criação de campanhas, sempre respeitando as prioridades dos clientes. Eu não posso criar a melhor torta de chocolate do mundo se o pedido que saiu da mesa foi bolo de limão.

O que esperar de 2017?

Não me sinto confortável em fazer previsões – profetizar é o que mais se tem feito, especialmente em um país com tantas surpresas como o Brasil. Posso falar o que espero para mim e para a Publicis: amar o trabalho, gerar alguma inovação e entregar grandes resultados.