"Acreditamos no poder transformador das ideias"


Ivan Marques, sócio-diretor da F/Nazca S&S

Por Claudia Penteado

Ivan Marques, sócio-diretor da F/Nazca S&S, diz que consistência, paixão pela criatividade e comprometimento com a qualidade têm sido ingredientes essenciais para manter a relevância e o frescor da agência que completa 23 anos.

A F/Nazca tem uma trajetória estável e que a muitos parece à prova de crises. Como a agência atravessa este momento em particular?  

Ninguém está incólume aos efeitos de uma crise econômica ou social. Esses cenários sempre afetarão em maior ou menor grau o consumidor, os anunciantes e as agências. O que desafia o senso comum e coloca alguns poucos na posição de “à prova de crises” é a capacidade de encarar desafios com criatividade, transparência e, claro, responsabilidade.

Como se manter relevante para clientes e atrair novos, hoje, como vocês atraíram Shell, recentemente?

Para nós, a relevância tem tudo a ver com entregar um trabalho que ninguém mais vai fazer. Ninguém. Deveria ser óbvio, um conselho fácil de ser seguido. Mas, cada vez mais, o mercado se rende ao faturamento, às soluções rápidas e nem sempre eficazes. A relevância da F/Nazca também está na sua consistência. São 23 anos batendo, insistentemente, na tecla da paixão pela criatividade e comprometimento com a qualidade.

Como a agência vem se mantendo fiel ao projeto original e, ao mesmo tempo, se transformando ao longo do tempo? O que muda e o que não muda?

É evidente que as mudanças fazem parte do processo de adaptação e até solidificação de uma empresa. Certamente não teríamos construído uma história tão longeva se a F/Nazca continuasse fazendo as mesmas coisas de 20 anos atrás. Mas, na minha opinião, manter intacto nossos princípios básicos e o mesmo brilho no olho de quando começamos faz toda a diferença. Temos mais do que duas décadas para relembrar. Temos, pelo menos, mais duas décadas para escrever.

A agência é uma das mais premiadas do mundo e recentemente foi a mais premiada no D&AD. Como é a relação com os prêmios e o que eles representaram e ainda representam para a equipe, principalmente a criativa? 

O D&AD é um dos festivais mais rigorosos da indústria da comunicação e liderar esse ranking é, certamente, um motivo de orgulho para toda a equipe. O resultado também confirma com números uma forte característica da agência: sua fervilhante criatividade. Para nós, que acreditamos no poder transformador das ideias, o D&AD e alguns outros festivais têm o papel de corroborar nossa reputação. Mas, sozinhos, não operam milagres.

Vocês mudaram o tom da campanha publicitária de Skol. Como fazer isso sem soar falso, forçado, como algumas campanhas que tentam inserir temas de diversidade em seus discursos?

Porque sempre respeitamos o DNA da marca e, quando se faz isso, o discurso é natural. Não é uma marca desesperada para entrar em um assunto. É uma marca consciente do seu público e do momento.

Qual a sua visão da caixa preta do digital, do furor pela mídia por parte dos anunciantes e da verdadeira construção de marcas valendo-se, sim, do digital como uma das ferramentas importantes?

Construir uma marca é uma equação que exige muito mais que uma ferramenta ou plataforma. E é inegável a importância do digital nessa matemática. Nesse contexto, mais do que quantidade, o X da questão volta a ser a qualidade com que vamos investir. Por isso, acredito que se o furor pela mídia por parte dos anunciantes vier acompanhando por esse pensamento estratégico e criativo, só haverá benefícios a todos.