"Os bons sobreviverão"


Dalton Pastore, Presidente da ESPM

Por Claudia Penteado

Pastore assumiu no início do ano a presidência da mais importante instituição de ensino da indústria da comunicação brasileira, a Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ex-presidente e membro do Conselho da Abap, o publicitário e empreendedor começou sua carreira como redator e trabalhou em diversas agências. Atualmente, preside o ForCom – Fórum Permanente da Indústria da Comunicação e faz parte da Comissão de Liberdade de Expressão da OAB. Neste bate-papo, ele confessa que não esperava o convite para presidir a ESPM e comenta os desafios à frente.

Qual o seu maior desafio na presidência da ESPM?

Pastore - Garantir excelência e perenidade. Nunca me deparei com um setor que tivesse tamanho compromisso e responsabilidade. Nossos alunos e suas famílias precisam que a ESPM esteja viva, respeitada e valorizada não apenas até a formatura, mas por toda a vida.

Você imaginava um dia se tornar gestor de uma grande universidade da indústria da comunicação?

Pastore - Nunca havia imaginado e estranhei muito quando o convite foi feito. Por sorte não havia urgência e me foi dado muito, mas muito tempo para refletir. E eu passei a gostar da ideia. Imaginei que depois de ter sido presidente de uma grande agência (Ogilvy), fundador da Carillo Pastore, três vezes presidente da Abap, presidente do IV Congresso e do ForCom, a academia seria uma oportunidade magnífica. Agora eu já tenho certeza disso. 

Qual será seu primeiro grande projeto na ESPM neste ano?

Pastore - No final do ano passado promovemos uma alteração relevante na estrutura diretora da escola. Essa reestruturação foi feita com o aconselhamento de meu antecessor, José Roberto Whitaker Penteado. Já definimos o lema de nossa gestão, que é "Excelência e Perenidade". Agora estamos trabalhando na revisão de propósito, posicionamento e estratégia corporativa.

Como vem evoluindo o trabalho no ForCom? O que está previsto para 2017?

Pastore - Tivemos um excelente encontro do ForCom no início de dezembro. Foi na própria ESPM que é, aliás, a casa do mercado. Vamos ter o primeiro encontro deste ano no final de março.

Qual a sua visão do mercado de agências hoje e das transformações pelas quais tem passado o seu papel diante dos anunciantes?

Pastore - O negócio das agências, como se sabe, sofreu uma transformação dramática. Hoje a indústria está globalizada e concentrada em poucos grandes players. Tornou-se um negócio de escala. Penso que todas as demais transformações são decorrentes deste fato.

Quem sobreviverá na indústria da publicidade?

Pastore - Enquanto a vida no planeta Terra continuar sendo  - como foi nos milênios anteriores - dependente e orientada para o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, enquanto os humanos mantiverem o sonho da propriedade e as economias influenciadas pelo consumo, haverá a necessidade de marcas, de marketing e de publicidade. A comunicação, que foi o que sempre diferenciou o homem dos outros animais, continuará sendo cada vez mais importante. Tudo e todos os que forem bons sobreviverão.