“Os anunciantes precisam ter aliados em seu negócio”


Marcio Santoro, Diretor da Abap Nacional, Co-presidente e CEO da Africa

Por Claudia Penteado

Em plena semana de Cannes, Marcio Santoro, Diretor da Abap e Co-presidente e CEO da Africa, agência que tem apresentado uma ótima performance no festival, diz que não importa o que aconteça, anunciantes querem parceiros estratégicos que gerem valor e vendas para as marcas. Isso é o que realmente importa.

Qual a discussão mais importante, na sua visão, relativa ao futuro da propaganda hoje?

A propaganda tem um papel muito claro e é isso que a torna relevante: gerar valor e vendas para as marcas. A discussão tem que ser em torno disso, hoje e sempre.

Como o modelo atual das agências precisa evoluir no Brasil?

Nosso mercado está em constante evolução, assim como o mundo. Não podemos parar no tempo e achar que temos a fórmula perfeita. Precisamos sempre evoluir, nos adaptar às novas demandas, inovar. Acredito que o grande desafio das agências é buscar, cada vez mais, a eficiência e como continuar a ser parceiras estratégicas para os clientes.

Entre discussões sobre modelos focados em consultorias, projetos criados in-house por clientes, empresas de design e agências incorporando estruturas de produtoras, para onde caminha, afinal de contas, o business, e como a propaganda pode se manter relevante para anunciantes hoje e no futuro?

As agências se manterão relevantes continuando a gerar valor de marca e venda para seus clientes. As agências têm o DNA e a expertise para fazer isso, como vêm fazendo há anos, e é isso que torna nossa indústria uma das mais reconhecidas e premiadas em todo o mundo. Em poucas atividades mercadológicas o Brasil é tão reconhecido mundialmente como a publicidade.

Os anunciantes querem trabalhar com parceiros que tenham respeito, transparência, visão estratégica, criatividade e excelência na execução. Mais que isso, os anunciantes precisam ter, principalmente, aliados em seu negócio. Ou seja, parceiros que se envolvam e entendam profundamente do negócio como um todo.

O que motivou você a estar na atual diretoria da ABAP Nacional?

Fiquei muito honrado com o convite. E por ter a oportunidade de estar ao lado de um time tão competente e apaixonado pela nossa profissão e com um objetivo que nos une: resgatar a autoestima do mercado e dos profissionais da área.

Qual a missão da entidade, na sua opinião?

Reforçar a importância da publicidade para a economia do país e restaurar a autoestima das agências e profissionais da área.

Como tem sido o último ano para a Africa e como vem enfrentando a crise?

Tem sido um ano de muito trabalho e de movimentações importantes na agência. Com foco cada vez maior em monetizar estruturas e negócios digitais, a Africa trouxe dois grandes nomes do mercado: Fabiana Baraldi, como Diretora de Operações Digitais e Ricardo Figueira, como ECD e Business Transformation, depois de uma temporada de oito anos em Londres. Outra grande contratação foi Alexandre Mantovani (ex-sócio da Falconi Consultores de Resultados), como Diretor de Operações, responsável por digitalizar as operações da agência, buscando otimizar os recursos, redefinir os processos e gerar rentabilidade. Ainda nas movimentções da agência, esse ano a Africa reformulou a estrutura de Atendimento, promovendo quatro diretores – Ana Hasegawa, Carol Boccia, Cintia Hachiya e PC Freitas – a Diretores-Gerais, além de promover Paula Coelho e Juliana Araujo como Diretoras-Gerais da Africa Zero.

Colocamos grandes campanhas na rua, com excelentes resultados, crescemos dentro de nossos clientes – Natura, por exemplo, conquistamos oito novos produtos, ganhamos novas contas – Chama e Itaucard - e fomos destacados em importantes premiações. Fomos a única agência de publicidade apontada pelo ranking de empresas com melhor reputação do país da Merco (Monitor Empresarial de Reputação Corporativa), além de ter sido eleita, pela segunda vez consecutiva, agência de propaganda número 1 em excelência em serviços ao cliente.

O que esperar de 2017?

Assim como o ano passado, 2017 está sendo um ano de instabilidade política e econômica, o que interfere em todos os setores, assim como no de comunicação.