“Uma agência só cresce quando seus clientes crescem”


David Laloum, presidente da Y&R Brasil

Por Claudia Penteado

David Laloum, presidente da Y&R Brasil, promoveu recentemente uma renovação no seu quadro de lideranças, apostando na horizontalização e redução das hierarquias. A aposta é na agilidade da entrega para se tornar cada vez mais parceira de negócios das marcas. Neste papo, ele fala de mudanças, oportunidades, transformação e conquistas.

A Y&R mantém sua liderança no Brasil (de acordo com o recente ranking da Kantar), apesar de sensível queda nos investimentos em mídia. Como tem sido esse ano complicado para o mercado em geral?

Começamos 2017 acreditando na possibilidade de uma retomada lenta dos negócios no segundo semestre. Mas, devido à continuidade da instabilidade no cenário institucional e político do país, tudo indica que este deve se confirmar como mais um ano sem crescimento. Independentemente de todos os grandes desafios, estamos atentos para detectar oportunidades para os nossos clientes. Também temos uma inquietação constante na busca de aprimoramento de processos em todas as áreas, o que nos faz olhar para a crise como uma oportunidade para acelerar a transformação das nossas empresas.

A agência realizou mudanças na estrutura da agência, renovando lideranças. O que mudou mais recentemente?

Praticamente concluímos o processo de renovação do nosso quadro de lideranças, que começou com a chegada do Rafael Pitanguy, nosso VP de Criação, em agosto do ano passado. Na sequência, promovemos a Glaucia Montanha a diretora-geral de Mídia e oficializamos o Leo Balbi e o Luiz Villano como Heads da área de Atendimento. E, recentemente, promovemos o Paulo Vita a Head de Estratégia e o Daniel Groove a Associate Creative Director (ACD). Além de horizontalizarmos nossa estrutura – reduzindo os níveis hierárquicos em todas as áreas – para intensificar ainda mais a proximidade com os clientes, fortalecendo assim o DNA da Y&R de ser uma parceira de negócios das marcas atendidas, com uma atuação consultiva e uma entrega ágil em todas as plataformas de comunicação. Outros movimentos realizados com esse propósito foram: a fusão das áreas de Planning, Inteligência de Mídia e Inteligência de Mercado para formar o departamento de Estratégia; e a consolidação da unificação das áreas de RTV com Art Buying, Produção Gráfica e Produção Digital.

Quais foram as conquistas recentes da agência e o que esperar de 2017?

Iniciamos o ano com a renovação do nosso contrato com a Via Varejo (Casas Bahia e Pontofrio), agora com o escopo de atividades ampliado em função da parceria com a Wunderman, que cuidará da comunicação digital. Também conquistamos as contas digitais de Danone, Bonafont e LG, o que nos permite atender as necessidades de comunicação integrada desses clientes, como já fazemos com TNT, Itaipava e Crystal.

O que você enxerga como as questões mais importantes relativas ao futuro da propaganda, hoje?

Elas estão ligadas à capacidade das marcas de reinventarem o seu marketing e a sua comunicação para continuarem relevantes na vida dos consumidores. Isso passa por melhorar a experiência delas, demostrando sua utilidade na vida das pessoas – tanto sobre aspectos funcionais e de produto, tanto sobre aspectos ligados à atuação da marca dentro da sociedade.

Como manter a relevância junto aos clientes e continuar crescendo como negócio em meio a tantas transformações?

Antes de tudo, tendo uma visão clara e proprietária de como se constroem as marcas e se define a estratégia de marketing das empresas – impactadas pela tecnologia e a evolução rápida dos comportamentos das pessoas diante das marcas e das empresas – neste mundo em constante mudança. Com isso, fortalecendo seu papel como melhor parceiro estratégico do negócio do cliente. Uma agência só cresce quando seus clientes crescem. É fundamental lembrar disso. Assim como acelerar a transformação digital, data, AI e cultural das nossas agências.

Fale um pouco da sua visão sobre o papel de uma entidade como a Abap. Como a entidade pode se envolver nas discussões mais atuais do mercado e contribuir com elas?

A nova diretoria da Abap tem uma visão e uma agenda muito claras sobre os desafios e as oportunidades que temos como agência no Brasil. A meu ver, uma das suas missões prioritárias deve ser o incentivo às melhores práticas profissionais para liderar a transformação do nosso setor em um ecossistema amplo (as próprias agências, os anunciantes, os meios de comunicação, os parceiros e os consumidores) e ajudá-lo a abraçar as mudanças do marketing e da comunicação, fortalecendo o compromisso com a ética e o profissionalismo que sempre pautaram o nosso negócio.